Confirmado na Defesa, Genoino diz que não tratará de ditadura

Ex-guerrilheiro será assessor de Jobim, mas disse estar disposto a não se envolver com a[br]Comissão da Verdade

João Domingos, O Estado de S.Paulo

11 Março 2011 | 00h00

O ex-deputado José Genoino (PT-SP) foi nomeado ontem assessor especial do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em ato assinado pelo ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Genoino tomará posse na semana que vem e disse que vai responder diretamente a Jobim.

Genoino é mais um candidato derrotado nas eleições de 2010 a ser aproveitado em cargos do segundo e terceiro escalões do governo. Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff havia iniciado a acomodação de peemedebistas que não conseguiram mandato em 2010.

Deputado de 1982 a 2002 e de 2006 a 2010, Genoino aposentou-se pela Câmara com pensão de R$ 20,3 mil. O cargo a que foi nomeado prevê vencimentos de R$ 8.988. Como a soma dos valores chega a R$ 29.288, Genoino terá redução de R$ 2.564,87 em seus vencimentos e receberá o teto salarial de R$ 26.723,13 - mesmo salário de um deputado eleito em 2010.

Em 2003, Genoino assumiu a presidência do PT. Em 2005, o partido foi protagonista do maior escândalo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva - o mensalão. Afastado da direção do PT nessa época, Genoino tornou-se réu no mensalão, processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).

Genoino disse que se considera preparado para assumir o cargo de assessor especial do ministro da Defesa. "Minha relação com o ministro Jobim sempre foi de respeito e amizade e vem desde a Constituinte, quando atuamos juntos. Como deputado federal, participei de todos os estudos sobre a Defesa, da lei complementar e da elaboração dos documentos próprios sobre o tema", afirmou. "Vou ser um servidor do governo sob as ordens do ministro."

Ditadura. Genoino disse que não tratará de assuntos como a polêmica Comissão da Verdade - prevista no Plano Nacional de Direitos Humanos e que visa a fazer uma reconstituição histórica do período da ditadura militar, com a investigação da tortura a presos políticos - porque essa é uma função que deve ser exercida pelos três ministros envolvidos no tema (Defesa, Justiça e Direitos Humanos).

Genoino participou da Guerrilha do Araguaia, movimento armado sob o comando do PC do B que ocorreu entre o fim da década de 1960 e meados de 1970 no território goiano hoje pertencente ao Tocantins e no Pará.

Foi preso em 1972 e ficou por cinco anos na prisão, período durante o qual foi submetido a torturas. Guerrilheiros que atuaram no Araguaia com Genoino acabaram mortos ou desapareceram - e um dos objetivos da Comissão da Verdade é esclarecer episódios como esses.

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