Controladores de voo negam responsabilidade em colisão do Legacy

Dois profissionais que trabalhavam no momento do acidente em agosto de 2006 prestaram depoimento hoje

Vannildo Mendes, O Estado de S. Paulo

29 Março 2011 | 18h52

BRASÍLIA - Em depoimento à Justiça Federal nesta terça-feira, 29, os controladores de voo Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivando Tibúrcio de Alencar negaram responsabilidade no acidente aéreo entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, que matou 154 pessoas, em agosto de 2006, em Mato Grosso. Eles estavam de serviço na hora do acidente na torre de Brasília e, devido a uma série de erros de procedimento, segundo as investigações, não conseguiram tirar o Legacy da rota de colisão com o Boeing, que vinha de Manaus na mesma altitude de 37 mil pés.

A asa do Legacy rasgou a fuselagem do Boeing, que caiu na floresta, na divisa do Mato Grosso com o Pará, matando os 148 passageiros e seis tripulantes. Avariado, o jato, fabricado pela Embraer, conseguiu pousar em segurança na base aérea da Serra do Cachimbo. Os controladores entraram em contradição e o Ministério Público manteve a acusação de atentado à segurança do tráfego aéreo, por terem agido com "negligência e omissão", segundo informou a procuradora da República Amalícia Hartz. Se condenados, eles podem pegar de 2 a 5 anos de reclusão, mais multa.

Amanhã e quinta-feira, a Justiça toma os depoimentos dos pilotos do Legacy, os americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, que vivem nos Estados Unidos e serão ouvidos por videoconferência. Eles respondem pelo mesmo crime, previsto no Artigo 261 do Código Penal, por terem desligado, provavelmente por descuido, o transponder do Legacy, equipamento vital de uso aeronáutico, que poderia ter evitado o acidente.

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