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Cordão da Bola Preta leva mais de 1 milhão ao centro do Rio

Paródias com críticas a políticos e à saúde pública foram entoadas pelos foliões; tumulto marca o fim do desfile do Cordão da Bola Preta, no Rio

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Alfredo Mergulhão,
O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2016 | 12h43

Um dos mais tradicionais blocos do carnaval do Rio, o Cordão da Bola Preta fez a festa para mais de um milhão de pessoas na Rua Primeiro de Março e Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro da cidade, na manhã e início da tarde deste sábado, 6. O desfile começou às 9h30, mas já a partir das 7h foliões se concentravam pela região. Na folia, teve crítica aos políticos e à crise na saúde pública brasileira. 

O fim do desfile do Cordão da Bola Preta foi marcado por furtos e brigas no centro do Rio de Janeiro. Agentes de segurança perseguiram ladrões no meio da multidão, o que assustou e gerou tumulto entre os foliões. Um dos mais tradicionais blocos do carnaval do Rio, o Cordão da Bola Preta arrastou mais de um milhão de pessoas em seu 98º desfile.

O bloco sai no carnaval do Rio desde 1918 e atrai multidões, vindas de diversos bairros e cidades vizinhas. A festa é marcada pela presença de grupos de famílias e amigos, que se reúnem fantasiados do tema do bloco: a bola preta. Durante a maior parte do desfile, o clima foi de tranquilidade, com pequenos inícios de tumultos, que logo eram dissipados, além de furtos. No início da tarde, por volta das 13h, no entanto, a insegurança aumentou e policiais militares, acompanhados de guardas municipais, passaram a perseguir suspeitos.

As confusões ocorreram quando o trio elétrico já estava no Avenida Presidente Antônio Carlos, na esquina com a Rua Araújo Porto Alegre, local onde a apresentação se encerra. A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que ainda não contabilizou as ocorrências e terá informações apenas quando a multidão se dispersar.

Foliões. Bonecos do presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, e do agente da Polícia Federal Newton Ishii, conhecido como “o japonês da Federal”, responsável por conduzir presos da Operação Lava Jato, eram carregados pelos foliões e deram o tom político à festa. Também não faltou  o “pixuleco”, boneco do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva vestido com roupa de presidiário.

 

A situação da saúde foi o tema da fantasia do professor de educação física Rafael de Jesus Silva, de 29 anos. Morador de Campo Grande, bairro da zona oeste do Rio, ele participou do tradicional Cordão da Bola Preta vestido de mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, febre amarela, chikungunya e zika vírus. “Achei o momento oportuno para brincar sem esquecer a crítica ao descaso no combate ao mosquito, tanto dos políticos quanto da população. Acho que vou ajudar na prevenção”, disse.

 Destaque entre os foliões, um  grupo de 40 moradores de Bangu, na zona oeste do Rio, acordaram cedo para viajar até o centro da cidade, por cerca de uma hora, para participar do desfile. Fantasiados de homens da caverna e reunidos em um pequeno bloco de amigos e parentes, que batizaram de “Uga Uga do Catiri”, chamavam a atenção por causa dos corpos e rostos pintados de preto, além dos machados de plástico que carregavam nas mãos. “Desde 1996  venho para o Bola Preta, sempre com a mesma fantasia. É uma tradição de amigos”, conta o auxiliar de produção Fábio Prince, de 26 anos.

 

A apresentação do Cordão da Bola Preta foi puxada pela rainha do bloco, a funkeira Ludmilla, pela madrinha, a cantora Maria Rita, e pela porta-estandarte, a atriz Leandra Leal. "Eu venho ao Bola desde criança e carregar este estandarte é um dos dias mais felizes do meu ano, sempre. O Bola Preta sempre foi o momento auge do meu carnaval", afirmou Leal, antes do desfile.

 

Nas ladeiras do bairro de Santa Teresa, na região central do Rio, o sábado de carnaval foi aberto pelo bloco Céu na Terra, que foi às ruas por volta das 8h. Neste ano, o bloco misturou samba, marchinhas e a marrabenta, um ritmo musical típico de Moçambique. Mas não faltou a tradicional  alegoria de bonde – em máscaras e camisetas -, um símbolo de Santa Teresa, onde o Céu na Terra desfila há 15 anos.

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