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Corpo de comandante do vôo 3054 é enterrado em Fortaleza

Carmen Pompeu, do Estadão

15 Agosto 2007 | 13h 29

Desde a confirmação da morte do filho, a mãe de Kleyber está sob efeito de medicamentos

O corpo do piloto Kleyber Aguiar Lima, de 54 anos, foi enterrado às nove horas da manhã desta quarta-feira, 15, no Cemitério Parque da Paz, em Fortaleza. Ele comandava o Airbus da TAM que fazia o vôo 3054. O avião explodiu após colidir com um prédio da TAM Express durante aterrissagem em Congonhas, São Paulo, no dia 17 de julho, matando 199 pessoas.   A família não permitiu que os jornalistas se aproximassem do local e pediu que não fossem feitas imagens aproximadas do caixão. Identificado no último domingo, 12, pelo Instituto Médico Legal de São Paulo, o corpo de Kleyber Lima desembarcou por volta das três horas da madrugada desta quarta-feira pelo terminal de cargas do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. O corpo veio transportado no vôo 3322, procedente de São Paulo.   Kleyber Lima nasceu em Roraima, mas veio residir com a família ainda criança em Fortaleza. Ultimamente, morava sozinho no bairro Santa Catarina, em São Paulo. De temperamento tranqüilo, era muito querido pelo grupo de tripulantes da TAM, onde trabalhava há mais de 20 anos. Era solteiro e dedicava a vida à profissão e aos cuidados com a mãe, Maria Guedes de Aguiar Lima, de 78 anos, viúva.   Sempre que havia um acidente envolvendo avião da companhia, Kleyber tinha por hábito ligar para mãe, na intenção de acalmá-la. A demora na terça-feira, 17, deixou a família aflita. O comunicado veio através de um telefonema, uma hora da madrugada de quarta-feira, 18, de um assistente social da TAM.   Desde a confirmação da morte do filho, Maria Guedes está sob efeito de medicamentos. Com relação à hipótese de falha do piloto durante procedimento de pouso, em entrevistas recentes ao jornal cearense "O Povo", a irmã mais nova de Kleyber, Sheridan Lima, rebateu: "Ele não era nenhuma pessoa inexperiente para ter feito algo tão amador. É como se fosse dirigir um automóvel e passar uma marcha errada", indigna-se Sheridan.   Para comprovar a experiência do irmão, ela enumera os avanços profissionais que Kleyber vinha conseguindo. De acordo com ela, o irmão havia sido,, recentemente, promovido a comandante master da companhia aérea.   "A minha alma dorme tranqüila, porque eu sei o que o meu irmão foi e que ele jamais cometeria uma negligência como essa que está sendo citada. Se fosse algo mais grave, mas um erro primário desses. Tenho certeza que ele não faria. Tenho total consciência", aponta Sheridan.

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