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Corpo de Daniel Piza é enterrado em SP

Familiares e amigos se despediram do jornalista no Cemitério de Congonhas

01 Janeiro 2012 | 23h22

O corpo do jornalista e escritor Daniel Piza foi enterrado na manhã deste domingo, 1, no Cemitério de Congonhas, zona sul de São Paulo. A cerimônia foi acompanhada por familiares, amigos e colegas do Grupo Estado.

Piza morreu aos 41 anos na noite do dia 30 de dezembro, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Ele estava em Gonçalves (MG), onde passava as festas de fim de ano na companhia da família. O jornalista chegou a ser socorrido pelo pai, que é médico, mas não resistiu.

Ele deixa a mulher, a também jornalista Renata Piza, e três filhos, Letícia, de 14 anos, Maria Clara, de 10, e Bernardo, de 6.

Trajetória

Piza nasceu em São Paulo em 1970. Estudou Direito no Largo de São Francisco (USP), mas logo passou a se dedicar ao jornalismo. Começou a carreira no Estado, onde, de 1991 a 1992, foi repórter do Caderno 2 e editor assistente do Cultura. Trabalhou na Folha de S. Paulo (1992-95) e Gazeta Mercantil (1995-2000).

Em maio de 2000, retornou ao Grupo Estado como editor executivo e colunista cultural - desde 2004, tinha uma coluna sobre futebol. Na rádio Estadão ESPN, apresentava os programas Estadão no Ar e Direto da Redação.

Ainda que muito ligado à literatura e às artes plásticas, transitava pelo cinema, dança, música, teatro e moda, oferecendo análises que faziam dialogar as manifestações artísticas.

Na coluna Sinopse, publicada aos domingos no Caderno 2, a política e a economia nacionais eram temas frequentes. Apaixonado por futebol, foi responsável por reportagens exclusivas também nesta área, como a notícia da aposentadoria do jogador Ronaldo.

Em 2009, com o repórter fotográfico Tiago Queiroz, refez a expedição de 1905 do jornalista e escritor Euclides da Cunha pela Amazônia, que resultou na publicação de uma série de reportagens, no livro Amazônia de Euclides e no documentário Um Paraíso Perdido. Colaborou com o diretor Luiz Fernando Carvalho na preparação do roteiro de Capitu, minissérie da TV Globo.

Ao saber da morte, o ex-jogador Ronaldo escreveu no Twitter: "Um jornalista fantástico e um amigo partiu hoje. Descanse em paz". O escritor Zuenir Ventura destacou sua personalidade. "O que mais me surpreendia era a modéstia e a serenidade."

Para o jornalista Sérgio Villas-Bôas, foi um exemplo. "Conhecedor, competente, visionário, profissional até a alma", disse em mensagem divulgada ontem por meio das redes sociais. "O que mais me choca, no entanto, é o fato de sua partida ter sido tão precoce quanto ele próprio."

"Além de perder um amigo e um colega brilhante, sinto por tudo que Daniel poderia ter feito e não fez na idade madura que ele infelizmente jamais alcançou. Permanecem o seu amor pela cultura e tudo o que escreveu", lamentou o jornalista Luis Antonio Giron, editor de cultura da Editora Globo.

Literatura

A produção como jornalista está reunida em Questão de Gosto, Perfis & Entrevistas, Contemporâneo de Mim - Dez Anos da Coluna Sinopse, Aforismos sem Juízo e Jornalismo Cultural. Como biógrafo, assinou livros sobre Ayrton Senna (O Eleito) e Paulo Francis (Brasil na Cabeça) e Machado de Assis (Um Gênio Brasileiro). Foi tradutor, entre outros autores, de Henry James (A Arte da Ficção) e H.G. Wells (A Máquina do Tempo).

Nos anos 90, lançou um romance, As Senhoritas de Nova York; cinco anos depois, seu primeiro livro infantil, Mundois; e, em 2010, a coletânea de contos Noites Urbanas.

O pendor para a polêmica foi herdado de escritores como o brasileiro Paulo Francis, o americano H. L. Mencken e o irlandês Bernard Shaw, cujos textos estão reunidos em coletâneas (O Dicionário da Corte de Paulo Francis, Dentro da Baleia - Ensaios e O Teatro das Ideias de Bernard Shaw, respectivamente).

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