Corpo de Itamar é cremado em Minas

Cinzas serão entregues hoje à família e, a pedido do ex-presidente, depositadas no túmulo de sua mãe, Itália Cautier, em Juiz de Fora

Eduardo Kattah e Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

Com honras de chefe de Estado, o corpo do senador Itamar Franco (PPS-MG) foi cremado no fim da tarde de ontem em cerimônia reservada a familiares e amigos mais próximos no Cemitério Parque Renascer, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Durante o dia, o corpo do ex-presidente foi velado no salão nobre do Palácio da Liberdade, antiga sede do governo mineiro, com a presença da presidente Dilma Rousseff e dezenas de personalidades de diferentes correntes dos cenários políticos nacional e mineiro.

Uma multidão de cerca de 4,5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, foi ao local se despedir de Itamar. As cinzas do ex-presidente serão entregues hoje à família e, a pedido de Itamar, depositadas no túmulo de sua mãe, Itália Cautier, em Juiz de Fora.

Itamar morreu aos 81 anos no sábado, vítima de acidente vascular cerebral em São Paulo, onde estava internado para tratar uma leucemia.

Em torno do caixão, Dilma se despediu de Itamar entre o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Já haviam passado pelo velório, em Juiz de Fora, os ex-presidentes José Sarney, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor, que cedeu o posto a Itamar em 1992, após impeachment.

Dilma compareceu à cerimônia acompanhada dos ministros Gleisi Hoffman, da Casa Civil; Ideli Salvati, das Relações Institucionais; Fernando Pimentel, de Desenvolvimento; Antônio Patriota, das Relações Exteriores; e Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação. Além de Fernando Henrique e Anastasia, Dilma também se encontrou com outros tucanos como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-governador José Serra e o senador Aécio Neves (MG).

Emoção. Todas as personalidades presentes à cerimônia fizeram questão de lembrar a trajetória de Itamar e a convivência com ele. Chamou atenção dos presentes a emoção demonstrada por Fernando Henrique. "As relações entre nós dois, durante muitos anos, foram entremeadas por brincadeiras. Então, eu choro hoje de saudades pelo Itamar. Eu posso ter certeza que o Brasil todo chora a morte. Mas ele ficará na nossa memória para sempre", declarou o ex-presidente, ministro de Itamar e seu sucessor no Palácio do Planalto.

"Dele (Fernando Henrique) também sou adversário, mas pude perceber que ele estava triste, emocionado. Isso que a gente tem de pôr em relevo", ressaltou outro ministro de Itamar, Ciro Gomes (PSB-CE).

A cerimônia de ontem em Belo Horizonte teve atraso de cerca de uma hora. No início da manhã, a neblina fechou o Aeroporto de Juiz de Fora. Mesmo assim uma multidão permaneceu desde o início da manhã em frente ao Palácio da Liberdade para a última homenagem a Itamar.

O militar aposentado Itamar Condé chegou ao local às 6 horas para garantir o primeiro lugar na fila. Condé disse que era fã do "político que nunca esteve envolvido em falcatrua".

"Foi uma figura única, respeitado por aliados e adversários, e que deu o tom que deverá prevalecer daqui por diante, de uma oposição sempre leal ao Brasil, mas firme e clara na defesa dos interesses dos brasileiros", ressaltou Aécio.

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