Correios devem mudar após eleições, diz ministro

Paulo Bernardo conclui diagnóstico sobre estatal, no qual sugere o fim do loteamento político de cargos e novas regras para contratos

Lu Aiko Otta / Vera Rosa BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2010 | 00h00

Interventor informal dos Correios, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem ao Estado que a empresa poderá sofrer mudanças após as eleições. "Está próximo o processo de sucessão. Imagino que, já na transição, vai se discutir o que será feito ali", afirmou Bernardo, que concluiu um relatório-dignóstico sobre a situação da estatal, a ser entregue ao presidente Lula em novembro.

Entre as recomendações está a redução do loteamento político para que as diretorias regionais passem a ser ocupadas por funcionários de carreira. Nos bastidores, as demissões do atual presidente dos Correios, David José de Matos, e do diretor comercial, Ronaldo Takahashi, são dadas como certas. Às vésperas do segundo turno, Bernardo evitou jogar combustível na crise. "As pessoas atacam muito o presidente (Matos), mas é bom lembrar que ele entrou lá há três meses".

Matos chegou ao posto pelas mãos da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, de quem é amigo. Takahashi também é ligado a ela - nos corredores, é chamado de "diretor-ministro". O presidente dos Correios comandou uma licitação considerada irregular pelo Ministério Público, que resultou na contratação da empresa aérea Total por um valor R$ 2,8 milhões acima do estabelecido em edital, conforme informou o Estado no domingo.

A "blindagem" contra indicações políticas proposta por Bernardo não vai atingir a cúpula da estatal. "Uma coisa é, na composição de governo, ter influência para nomear um diretor, para nomear o presidente", disse o ministro. "Outra coisa é regionalizar essa influência e isso gerar conflito na empresa."

Será sugerida a mudança no estatuto da empresa. Atualmente, o presidente dos Correios comanda também o Conselho Administrativo. A proposta é que o conselho passe a ser ocupado pelo ministro das Comunicações ou algum secretário da pasta, a exemplo do que ocorre com as outras estatais.

Outra constatação do relatório de Bernardo é que a regulamentação sobre a prestação de serviços de transporte de carga aérea precisa ser modificada para evitar novos escândalos, como o das contratações da Total e da Master Top Linhas Aéreas (MTA), que pagaria "taxa de sucesso" ao filho de Erenice, Israel, sobre o valor de contratos.

Hoje, os contratos são de um ano, prorrogáveis por até cinco, período considerado curto. "Como as empresas sólidas não querem entrar, você fica sujeito a novatos ou empresas improvisadas", disse Bernardo. Uma possibilidade é passar a permitir contratos de dez anos. Outra é os Correios criarem sua própria transportadora aérea, projeto de Erenice e dos donos da MTA. "Isso é uma polêmica maior", comentou o ministro. "O presidente (Lula) já resolveu que não vai fazer isso."

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