Crítica de Matarazzo a Alckmin reacende racha tucano

Secretário de Cultura de SP afirmou em 2006,segundo o WikiLeaks. que governador não tinha o apoio tucano contra Lula

Roberto Almeida e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

05 Março 2011 | 00h00

Aliados do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) consideraram "gravíssimo" o conteúdo do telegrama revelado pelo site WikiLeaks, que envolve conversas entre o atual secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, e diplomatas norte-americanos em 2006. Reservadamente, eles dizem que o documento tem potencial de reacender a traumática disputa interna do PSDB durante a eleição presidencial daquele ano, quando Alckmin foi candidato ao Palácio do Planalto sem contar com o apoio total do partido.

À época do despacho interceptado pelo WikiLeaks, Matarazzo era secretário das Subprefeituras da capital paulista, então administrada por José Serra. Segundo o telegrama, diplomatas consultaram Matarazzo sobre as chances reais de Alckmin bater Lula nas urnas.

Em resposta, afirma o texto, Matarazzo intitulou-se "serrista", fez duras críticas aos alckmistas - classificando-os como "baixo clero" - e ligou o governador paulista ao Opus Dei, prelazia conservadora da Igreja Católica. Em um trecho, Matarazzo teria dito que Serra e o senador Aécio Neves não queriam a vitória de Alckmin, e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o apoiava "sem qualquer entusiasmo".

Tucanos próximos a Alckmin avaliam que Matarazzo não deve ser sacado do governo agora para que a medida não soe como retaliação. Mas consideram que a revelação do telegrama estremece a relação entre os dois, agrava a crise no partido e tem potencial de reacender a disputa entre o grupo de tucanos ligados a Serra e o grupo ligado a Alckmin, hoje acomodados na estrutura do governo paulista.

Ontem, em evento no Palácio dos Bandeirantes, Alckmin considerou o caso "assunto encerrado". "Pelo jeito, os brasileiros nos Estados Unidos não deram muita bola, porque eu ganhei a eleição nos Estados Unidos", afirmou, em referência a 2006.

À noite, Matarazzo manifestou-se por meio de nota. Ele afirma que os despachos "não merecem nenhuma credibilidade" e que a conversa sobre o Opus Dei "nunca aconteceu". "Como católico que sou, nunca entrei em discussão sobre a orientação religiosa de qualquer pessoa, muito menos do governador Geraldo Alckmin, que sei ser católico e não pertencer ao Opus Dei", afirma. "Lealdade ao meu partido e a todos os seus membros sempre foi a tônica de minha vida pública."

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