Crivella apoia ex-pagodeiro para evitar 2º voto em Lindberg

Senador fecha acordo com Waguinho, cantor gospel que era usuário de cocaína; em pesquisa, ele subiu de 5% para 13%

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

Cantor de pagode, ex-dependente químico, evangélico convertido há poucos anos, Wagner Dias Bastos, o Waguinho (PT do B) chega à reta final da campanha para o Senado com 13% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, à frente dos ex-deputados Milton Temer (PSOL) e Marcelo Cerqueira (PPS). O crescimento - ele começou com menos de 5% - ocorreu nos últimos dias, após uma dobradinha acertada com Marcelo Crivella (PRB), segundo colocado na disputa, numa estratégia do senador para neutralizar seus concorrentes.

Vinícius Cordeiro, presidente do PT do B, admite ter usado esse argumento para convencer Crivella a apresentar Waguinho como seu "segundo voto". Assim, o senador evitaria que seus eleitores ajudassem os adversários Lindberg Farias (PT), líder nas pesquisas, Cesar Maia (DEM) e Jorge Picciani (PMDB). "Ele poderia jogar o segundo voto num candidato de médio porte, sem mudar o discurso para o público evangélico", afirmou Cordeiro.

Os panfletos com as imagens de Crivella e Waguinho começaram a ser distribuídos há cerca de dez dias. O ex-pagodeiro, agora cantor gospel, passou a dominar o espaço do PT do B na tevê.

Para o cientista político César Romero, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), Crivella mira o petista. "O presidente Lula apoia Crivella. Mas o PT estadual fez acordo com Picciani", explicou. "Crivella acompanhou Lindberg subindo nas pesquisas e decidiu agir. Ele quer enfraquecer os outros concorrentes, mas o foco é o Lindberg."

Waguinho gosta de se apresentar como o "filho de um gari e uma faxineira". Ficou conhecido nos anos 1990 como vocalista do grupo Os Morenos. Em janeiro de 1999, sumiu por alguns dias e a família chegou a suspeitar de sequestro. O cantor foi encontrado em um motel, onde havia passado dias consumindo cocaína.

Em 2003, converteu-se à Assembleia de Deus dos Últimos Dias e abriu um centro de recuperação de dependentes químicos. Agora, quer a criação de um "plano nacional de recuperação de drogados". Em São Paulo, seu partido apoia José Serra (PSDB), no Rio, está coligado com Dilma Rousseff (PT), mas Waguinho declarou voto em Marina Silva (PV), por ser "evangélico, contra o aborto e a legalização das drogas".

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