Debate foi marcado por troca de acusações

Primeiro confronto direto na TV no segundo turno foi tenso com ataques de ambos os lados e pouca discussão de propostas

, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2010 | 00h00

O debate mais acirrado da campanha eleitoral, protagonizado pelos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) anteontem à noite, teve aborto, corrupção e privatizações como temas centrais.

Logo no início do programa, exibido pela TV Bandeirantes, Dilma disse estar sendo vítima de "calúnias, mentiras e difamações" e acusou o vice de Serra, Índio da Costa, de organizar grupos para atingi-la.

"Vocês confundem verdades e matérias de jornais com ataques", rebateu Serra. "Em relação à Casa Civil, você disse que foi uma invenção da imprensa. Em relação ao aborto, você disse que era a favor e depois disse o contrário. Não tem coerência, é ter duas caras."

Na réplica, Dilma se manteve na ofensiva: "Você, Serra, deve ter cuidado para não ter mil caras. Mentira e calúnia contra mim geraram processo no qual você é réu. (...) Você regulamentou o acesso ao aborto no SUS. Sou acusada de coisas que não quero mencionar pela sua própria esposa. E sou a favor da sua regulamentação, pois temos duas mulheres que morrem por dia, ou um dia sim e um dia não, por aborto. É uma questão de polícia. Entre prender e atender eu fico em atender".

Mais tarde, Dilma esclareceu a que se referia quando citou a mulher de Serra. "O que não está certo é sua esposa, dona Monica Serra, dizer que a Dilma é a favor da morte de criancinhas. É tão absurda essa acusação, que mostra a característica dessa campanha, que é contra mim e usa uma coisa que o Brasil não tem: o ódio. Nesse país não há ódio religioso, ódio étnico, ódio cultural."

Corrupção. Serra acusou a adversária de ter discurso dúbio em relação ao aborto e à religião. As críticas se estenderam à proximidade da petista com a ex-ministra Erenice Guerra, que deixou a Casa Civil em meio a suspeitas de tráfico de influência,

"Eu nunca defendi a liberação do aborto", disse o tucano. "Você defendeu e depois disse que não, e se diz vítima com isso. Em relação a Deus, a mesma coisa, primeiro disse que talvez acreditasse ou não acreditasse e depois virou devota. Em relação à Casa Civil, há uma pessoa que foi seu braço direito durante sete anos, armou uma enorme corrupção e você diz que não tem nada a ver com isso."

"Fico indignada com o caso da Erenice, mas acho que você deveria responder também em relação ao caso do Paulo Vieira de Souza, seu assessor, que fugiu com R$ 4 milhões de dinheiro de sua campanha", contra-atacou Dilma.

A candidata se referiu a reportagem da revista IstoÉ, segundo a qual Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, teria arrecadado recursos não declarados para campanhas do PSDB. Vieira de Souza nega a acusação. Serra não respondeu ao comentário de Dilma sobre o assunto.

Petrobras. O tema privatizações entrou na discussão por iniciativa da candidata do PT. Ela criticou a operação, feita no governo de Fernando Henrique Cardoso, na qual a União reduziu sua participação na Petrobras.

"O PT é, como se diz no Chile, como o Padre Gatica: predica e não pratica. As coisas que eles falam é uma e o que fazem é outra. No caso de venda de empresa públicas, o PT colocou o Banco do Brasil na Bolsa de Nova York e aumentou a participação do capital privado no Banco do Brasil."

Dilma afirmou que David Zylbersztajn, presidente da Agência Nacional do Petróleo no governo FHC, é a favor de "uma privatização internacional do pré-sal".

"Quando líder estudantil, eu lutei pelo fortalecimento da Petrobrás, que duplicou seu patrimônio no governo Fernando Henrique", disse Serra. "No caso da telefonia, o PT atrapalhou a abertura do setor, mas não conseguiu. Sabe qual seria o Brasil do PT? O Brasil do orelhão, porque ninguém teria celular."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.