Década da paz está no ´meio do caminho´

As Nações Unidas elegeram o período entre 2001-2010 a Década de uma Cultura de Paz e Não-violência para as Crianças do Mundo. O primeiro relatório da iniciativa saiu no início deste ano. É uma avaliação até 2005, o meio do caminho, e aponta obstáculos com o desemprego, a pobreza e a cultura de guerra propagada pelos meios de comunicação. "Sentimo-nos imersos numa cultura da guerra em que predominam a desconfiança, a falta de diálogo, o medo, a competição excessiva, a indiferença para com a natureza e a violência tanto estrutural como direta (...), com o apoio dos meios de comunicação, que dão relevo a estes valores em detrimento da paz", diz trecho do relatório sobre a América Latina feito por entidades da sociedade civil que trabalham com cultura de paz. Um total de 15,5 milhões de brasileiros assinaram abaixo do manifesto dos prêmios Nobel da Paz de 2000,que definiu os princípios da cultura de paz: respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, respeitar o planeta, ser solidário. Foi o segundo maior número de assinaturas coletadas, atrás apenas das reunidas na Índia. "Por mais que tenha sido definida uma década, você não implementa uma cultura em dez anos", avalia Lia Diskin, da ONG Palas Athena, de São Paulo, que recebeu das Nações Unidas a missão de divulgar o manifesto no Brasil. Para ela, no atual momento, a cultura de paz toma corpo em diferentes espaços, do Judiciário até as áreas de Esportes e Meio Ambiente, por exemplo, mas ainda há o desafio de realizar ações integradas entre os setores, afirma. "A cultura da paz é uma estratégia". E como estratégia, explica Lia, tem como uma de suas principais ferramentas o "ouvir empático", inspirado em teoria e prática de estudiosos como o físico e pensador norte-americano David Bohm (1917-1992). Bohm definiu o diálogo como um jogo em que todos ganham, constroem ou desconstroem uma idéia, criam algo novo, e não uma batalha pela "melhor" idéia, muitas vezes o primeiro passo de um conflito. "Num diálogo (...) ninguém tenta vencer (...). Não há tentativas de ganhar pontos ou fazer prevalecer visões de mundo individuais. Em lugar disso, sempre que algum erro é descoberto por alguém, todo mundo ganha. (...) O diálogo é mais uma participação, na qual não jogamos uns contra os outros, mas com cada um deles", disse Bohm. Um pouco mais sobre cultura de paz O manifesto 2000, elaborado por laureados pelo prêmio Nobel da Paz, traz os princípios da cultura de paz 1 - Respeitar a vida 2 - Rejeitar a violência 3 - Compartilhar 4 - Ouvir para compreender 5 - Preservar o planeta 6 - Redescobrir a solidariedade Evento O evento ocorre no próximo dia 7 de agosto de 2007, às 19 horas, no auditório do Museu de Arte de São Paulo (Masp) - Avenida Paulista, 1.578, SP, Estação Trianon do Metrô A entrada é gratuita e aberta a todos. Participam a psicóloga Denise Gimenez Ramos, da PUC-SP, promovido pelo Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz. Mais informações pelo telefone (11) 3266-6188 ou pelos sites do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz, do Instituto Ser Humano e do Palas Athena Centro de Estudos Filosóficos.

Fabiane Leite, do Estado

14 Julho 2007 | 15h20

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