Defesa da filha de Serra pede que seja apurado uso político de dados

Segundo o advogado, blogs 'diretamente ligados à campanha de Dilma' utilizaram as informações fiscais

Bruno Tavares e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2010 | 00h00

O criminalista Sérgio Rosenthal, que representa Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, filha e genro do presidenciável do PSDB, José Serra, requereu ontem à Polícia Federal ampla investigação sobre o uso político das informações obtidas pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. O advogado verificou que blogs "diretamente ligados à campanha de Dilma Rousseff" utilizaram dados fiscais sigilosos de seus clientes.

"Quero saber se foi o Rui Falcão quem roubou o dossiê ou se foi o jornalista quem vendeu para o PT", declarou Rosenthal. Deputado estadual, Falcão é um dos coordenadores de comunicação da campanha de Dilma.

O advogado do casal está convencido de que é "uma balela" a versão da cúpula da campanha de Dilma que atribui a montagem do dossiê a um suposto "fogo amigo" dentro do PSDB. "Não tem nada a ver", afirma. Rosenthal destaca que, em seu relato à PF, Amaury informou ter tomado ciência, em dezembro de 2007, de que um "grupo clandestino de inteligência" espionava o então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).

Na ocasião, o jornalista trabalhava no Estado de Minas. "É intrigante que só dois anos depois o jornalista encomendou as declarações de renda de Verônica e Alexandre", observou o advogado - o acesso imotivado ao sigilo fiscal da filha e do genro de Serra ocorreu em entre 30 de setembro e 8 de outubro de 2009.

À PF, Amaury disse "ter certeza" de que as informações de políticos tucanos foram extraídas de seu notebook sem sua autorização. Segundo o jornalista, "apenas Falcão tinha as chaves do apartamento" em que ele residia - um flat em Brasília de propriedade do responsável pela administração dos gastos da casa do Lago Sul onde funcionava o "núcleo de inteligência" da campanha petista.

Rosenthal não quer interferir na investigação da PF. Mas espera que ela não se limite à conduta do jornalista. "Tem de ouvir Rui Falcão sobre as acusações graves e os responsáveis pelos blogs da campanha do PT para saber de que forma eles tiveram acesso ou receberam esse dossiê", sugere o criminalista. "Tem de saber se foi Rui Falcão quem entregou o dossiê aos blogs."

Para Rosenthal, a PF deve também identificar a origem do dinheiro que Amaury usou para comprar documentação ilícita. O despachante Dirceu Garcia admitiu ter recebido R$ 12 mil do jornalista pelas cópias das declarações de renda e R$ 5 mil após o escândalo das violações de sigilo.

A PF identificou o elo entre o jornalista e o despachante por meio de uma amante de Ademir Estevam Cabral, um dos intermediários da operação ilegal. O cruzamento de ligações telefônicas efetuadas por Amaury e Garcia também foi decisivo para estabelecer o contato entre eles no período em que o sigilo de Verônica e Alexandre foi devassado. A PF teve ainda acesso a comprovantes de passagens aéreas do jornalista que ratificam suas viagens a São Paulo.

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