Delegado leva lista de policiais à corregedoria

Acusado de achaque indicou agentes que detiveram cúmplice de Abadía

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

05 Outubro 2007 | 00h00

O delegado Pedro Pórrio, acusado por comparsas do megatraficante Juan Carlos Ramirez Abadía de achacar integrantes da quadrilha do colombiano em pleno prédio do Departamento de Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), tentou entregar ontem à Corregedoria da Polícia Civil uma lista com os nomes dos policiais que levaram Ana Maria Stein para ''''averiguações'''' na delegacia que comandava. Ela e o marido Daniel Braz Maróstica são investigados por suposta participação nos negócios de Abadía. Pórrio, no entanto, não encontrou o delegado-corregedor Fernando Costa Azevedo, que preside o inquérito sobre a acusação de corrupção policial. Na terça-feira, Pórrio havia negado ligação com achaques ao grupo de Abadía e tinha atribuído o surgimento de seu nome nas investigações da Polícia Federal ao prestígio que tem em sua corporação. ''''Se alguém fez isso, não fui eu. Às vezes, as pessoas fazem as coisas e jogam no colo de outra.'''' Ontem, ele convocou uma coletiva em frente ao prédio da corregedoria, na Rua da Consolação, mas permaneceu em silêncio por determinação de seus superiores e de seu advogado, Daniel Leon Bialski - que atuou como porta-voz. Além de levar a lista com o nome do delegado-assistente Roberto Olmado Cônsul e de quatro investigadores - Hélio Basílio dos Santos, André Kobaiashi Ramos, Francisco Carlos Vinte e Cinco e Ricardo Amoreli, Pórrio propôs a quebra de seus sigilos telefônico, fiscal e bancário à corregedoria e ao Ministério Público Estadual para provar que não participou do suposto seqüestro e extorsão. Na versão do delegado, seus subordinados teriam relatado que levaram Ana Maria à sua delegacia no Denarc após saberem que ela usava um carro Land Cruiser Prado para transportar traficantes e drogas. Puxaram a ficha de antecedentes e fizeram a perícia no veículo, ''''para ver se tinha algum compartimento secreto para transportar drogas''''. E a liberaram por não encontrarem qualquer indício de ilicitudes. O delegado não soube dizer o nome do proprietário do carro suspeito, apesar da liberação. O advogado do casal, Julio Clímaco de Vasconcellos Jr., disse que o veículo era de Henri Edval Lagos, o Primo, integrante da quadrilha que está foragido. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública informou que o delegado Cônsul e os investigadores Ramos e Amoreli continuam no Denarc e que os outros investigadores estão no Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Pórrio está na 5ª Delegacia Seccional, na zona leste, e descartou afastamento. ''''Ele foi garantido no cargo, não somente pela autoridade seccional como por autoridades superiores'''', concluiu Bialski. O advogado de Abadía, Sérgio Alambert, vai formalizar na segunda-feira o pedido de transferência do colombiano para a Custódia da PF em São Paulo, até sair a decisão da extradição pedida pelos Estados Unidos. Alambert disse que seu cliente é cardíaco e apresentou ''''sérios problemas de claustrofobia'''' no presídio de segurança máxima de Campo Grande. ''''Vou juntar os laudos médicos e pleitear isso por questão humanitária.'''' Para ele, a PF paulista tem aparato de segurança para receber o colombiano, e o único empecilho seria político.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.