DEM faz convenção hoje e tenta estancar sangria de filiados

O DEM homologa hoje o senador José Agripino Maia (RN) como seu novo presidente, em convenção nacional, ao mesmo tempo que o comando do partido opera politicamente para reduzir as dissidências internas. Consciente de que não pode impedir mais a desfiliação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o partido discute agora a tentativa de preservação do vínculo do vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos.

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Março 2011 | 00h00

Setores do partido defendem a manutenção de Afif, um dos principais quadros do DEM em São Paulo. Esse grupo avalia que, se ele seguir Kassab na desfiliação, produzirá um desfalque ainda maior da legenda. O problema é que o grupo majoritário do DEM acha que a mobilização faz parte de uma estratégia que seria defendida pelo próprio Kassab.

Nessa hipótese, avalia que o prefeito estaria incentivando aliados próximos, como Afif e o deputado Rodrigo Garcia (SP), a se manterem filiados, preservando sua influência na legenda e preparando terreno para a fundação de um novo partido, o PDB.

Afif hoje tem um importante papel dentro do DEM em São Paulo, como um dos nomes mais cotados para encabeçar a chapa de sucessão do prefeito.

Se permanecer no DEM, essa articulação poderá não receber o apoio do atual grupo majoritário, mais próximo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Se deixar a legenda, Afif certamente será o candidato bancado pelo prefeito para sucedê-lo no cargo. O problema é que o futuro PDB ainda precisará montar toda sua estrutura para enfrentar uma campanha. No DEM, sem Kassab, a atual estrutura municipal será desmontada, embora o partido conserve tempo de televisão e fundo partidário, essenciais para uma campanha.

Sem saber o desfecho dessa negociação, a futura direção do DEM tenta aproveitar a convenção para obter um pouco de paz interna. Desgastado pelo mau resultado da eleição, que reduziu a bancada para 44 deputados e 5 senadores - nos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, chegou a ter mais de cem representantes na Câmara -, o partido quer mudar sua agenda interna e trabalhar novas prioridades nas próximas eleições. O foco serão os eleitores da nova classe média, consolidada durante os oito anos de governo Lula.

Outro insatisfeito que ameaça deixar o DEM é o ex-deputado Índio da Costa (RJ), candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra. Ele quer disputar a Prefeitura do Rio. As opções são o PDB de Kassab ou mesmo o PSDB. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.