DEM vai intervir em SP e tirar dissidentes de comissões

Cúpula quer reduzir influência regional de Kassab e vai substituir políticos que anunciaram migração para o PSD

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 Março 2011 | 00h00

O comando nacional do Democratas deflagrou ontem o processo de expurgo dos políticos que anunciaram a disposição de sair da legenda e migrar para o futuro PSD (Partido Social Democrático), liderado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

A primeira medida será destituir a direção do DEM em São Paulo, que tem o próprio Kassab como presidente. Como ele ainda não se desfiliou oficialmente do partido, a ideia é acabar imediatamente com sua participação na regional de São Paulo e cessar sua influência sobre o diretório local.

Ontem, Kassab enviou para a direção do DEM, via fax, apenas um documento no qual pede o afastamento da presidência dos diretórios estadual e municipal de São Paulo. Mas não sacramenta o desligamento legal da legenda. Assim, embora já tenha realizado dois atos públicos de lançamento do PSD, para todos os efeitos, o prefeito paulistano continua filiado ao DEM.

Kassab hesita em dar esse passo final enquanto o PSD não formalizar sua criação, para evitar que integrantes do DEM usem a Lei da Fidelidade Partidária para contestar judicialmente seu mandato de prefeito.

Como no documento enviado à direção Kassab informa que passou o comando dos dois diretórios para o vice Alfredo Cotait Neto, o DEM vai intervir e acabar com sua influência.

"Na quinta-feira, vamos reunir a Comissão Executiva Nacional do partido e oficializar a troca do comando de São Paulo", confirmou o novo presidente nacional do Democratas, senador José Agripino Maia (RN).

"Temos que cessar imediatamente sua influência sobre o DEM em São Paulo", concorda o líder do partido na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).

Congresso. A segunda medida do expurgo será cortar o espaço dos parlamentares que pretendem deixar o DEM rumo ao PSD, mas que ainda não o farão nesse momento, já que o novo partido só existe na intenção. Assim, eles serão retirados das melhores comissões técnicas do Congresso para as quais o DEM tem direito a fazer indicações.

"Não tem sentido privilegiar parlamentares que estão dizendo que vão sair em detrimento de outros que vão ficar. Vamos cortar essas vagas, sim", afirma o líder do partido na Câmara.

Pelo menos um dos dissidentes, o deputado federal Junji Abe (SP), não pretende reclamar dessa medida. E adota um tom conciliador em relação à legenda. "Exclusão de comissões, se houver, é legítima. Aliás, só tenho respeito e gratidão aos companheiros do DEM. Tenho certeza que assim continuaremos", afirmou o deputado.

Ao mesmo tempo, o comando do DEM mantém a tática de evitar baixas para a futura legenda de Kassab. Hoje, a direção se reúne com o deputado Eli Corrêa Filho (SP), também procurado pelo prefeito, para tentar convencê-lo a permanecer no DEM.

"Sem decência". O comando do DEM não poupou críticas à nova legenda. "É um grupo de políticos que se juntou por puro oportunismo político", diz Agripino Maia. "Nasceu o PSD, o partido sem decência, o partido sem dignidade", afirmou ACM Neto, ironizando as iniciais da nova sigla planejada por Kassab.

O líder da bancada defendeu que o partido sequer se alie ao PSD em São Paulo, nas próximas eleições municipais. "O DEM tem de ir para a oposição ao Kassab. Vamos enfrentá-lo em São Paulo", afirmou ACM Neto, lembrando também a piora no índice de popularidade do prefeito, segundo o Instituto Datafolha.

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