Dida Sampaio/AE-18/5/2011
Dida Sampaio/AE-18/5/2011

Demissão acirra tensão na base aliada

Episódio gerou clima de desconfiança e alguns aliados especulam que denúncias contra a cúpula dos Transportes partiram do Planalto

Christiane Samarco e Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2011 | 00h00

Independentemente do nome que substitua o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) no Ministério dos Transportes, a crise de confiança entre líderes da base aliada em relação ao Palácio do Planalto levará mais tempo para ser contornada. Dirigentes de todas as legendas, inclusive do PT, ficaram surpresos com o modo como o governo lidou com o caso, demitindo quatro subordinados de confiança do ministro antes mesmo de ouvi-lo.

Para o presidente de uma importante legenda da base, a insatisfação dos aliados saiu dos limites das bancadas do PR - formada por 40 deputados e 6 senadores, incluindo Nascimento. Por essa avaliação, o governo terá novas dificuldades políticas no Congresso. Segundo esse líder, ao passar por cima de um ministro que preside uma legenda aliada, a presidente Dilma Rousseff parece esquecer que está à frente de um governo de coalizão. "Isso terá consequências."

Também foi motivo de irritação no PR e em outros partidos da base o fato de o Planalto ter se movimentado para pôr o petista Hideraldo Caron, atual diretor de Infraestrutura do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), no lugar do diretor-geral do órgão, Luiz Antonio Pagot, que entrou em férias depois que Dilma decidiu afastá-lo no fim de semana.

Depois, a escolha do Planalto por um nome de perfil mais técnico - o secretário executivo da pasta, Paulo Sérgio Passos - como substituto de Nascimento foi interpretada, nas palavras de um senador do PR, como uma tentativa da presidente de "empurrar goela abaixo do partido" a indicação para o posto.

Nesse clima de desconfiança, também não falta quem acredite que as denúncias contra a cúpula dos Transportes tenha origem no Planalto. O raciocínio seria de que isso tiraria do foco o caso dos aloprados, que tinha como alvo o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia).

Apesar da confiança abalada, prevalece entre os governistas de que, enquanto a economia do País estiver bem, o Planalto não terá grandes problemas. Por isso, resta à oposição a tática de esticar o caso ao máximo, levando os envolvidos a prestarem depoimento no Congresso.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (PSDB), disse que a saída de Nascimento "não elimina a necessidade de investigação sobre o suposto esquema de cobrança de propina na pasta". "Há fortes indícios de que existe um mensalão no Ministério dos Transportes e a saída do ministro não pode ser um ponto final na história."

O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) lembrou que o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), denunciou a existência de uma "quadrilha" nos Transportes e quer que ele vá ao Congresso "esclarecer" o que o levou a dar essa declaração.

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