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Denúncia ao MP levou ao paradeiro de Roger Abdelmassih

Bruno Ribeiro e Fausto Macedo - O Estado de S. Paulo

19 Agosto 2014 | 18h 37

Ex-médico foi preso nesta terça-feira em Assunção, no Paraguai; ele foi condenado a 278 anos de prisão por 39 estupros

Atualizada às 22h16

SÃO PAULO - Uma investigação do Ministério Público de São Paulo sobre uma suposta lavagem de dinheiro levou à captura do ex-médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, nesta terça-feira, 19, no Paraguai. A partir de uma denúncia de que ele estaria em Avaré, no interior paulista, os promotores conseguiram traçar sua rota de fuga e descobrir seu paradeiro no país vizinho, após três anos de buscas a um dos fugitivos mais procurados do Brasil. O MP acionou a Polícia Federal, e a prisão foi efetuada em parceria com policiais da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai.

O MP obteve um mandado de busca e apreensão para averiguar a denúncia de que o condenado a 278 anos de prisão por 56 crimes de estupro contra 37 vítimas estaria no interior do Estado. Desde o cumprimento do mandado, no dia 29 de maio deste ano, quando foi realizada uma operação em uma fazenda em Avaré, o paradeiro do condenado foi identificado como a capital do Paraguai. “Era uma fazenda de laranjas, que já havia sido de propriedade dele”, disse o promotor Luiz Henrique Del Poz, autor da denúncia que resultou na condenação de Abdelmassih por estupro contra as dezenas de vítimas.

EFE
Documentos mostraram que empresas de fachada foram usadas por Abdelmassih para lavar dinheiro e transferir quantias para o exterior

O procurador-geral, Márcio Fernando Elias Rosa, designou, na ocasião, dois promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Bauru para, em parceria com a Polícia Civil, fazer as buscas e apreensões na propriedade, onde, segundo a denúncia, estaria o ex-médico. No local, embora o foragido não tenha sido localizado, os promotores e os policiais civis encontraram uma série de pistas do plano de fuga.

Documentos mostraram que pessoas jurídicas supostamente de fachada foram usadas para lavar dinheiro e transferir quantias para manter o ex-médico em Assunção. Não havia ordem judicial para o bloqueio dos bens de Abdelmassih e seu dinheiro foi, então, movimentado. Na sede da fazenda, os promotores encontraram também bilhetes, cartas e fotos que auxiliaram nas investigações.

Polícia Federal fez projeção com uma série de disfarces que o ex-médico poderia usar durante a sua fuga, que começou em janeiro de 2011

Monitoramento. O MP passou a monitorar uma rede de pessoas envolvidas no esquema de cobertura do foragido. Investigações complementares, que incluíram a quebra de sigilo telefônico de colaboradores que poderiam ajudar na fuga, levaram à certeza de que o foragido estava vivendo no Paraguai. “Foi quando requeremos à Justiça o compartilhamento das informações dessa investigação sigilosa com a Polícia Federal”, disse Elias Rosa. “Essa prisão só foi possível por causa do trabalho integrado com as duas polícias, a Civil e a Federal”, afirmou o procurador-geral.

Os promotores não informaram, porém, quantos são os suspeitos de colaborar com Abdelmassih nem suas identidades. No entanto, eles continuam sob investigação do MP e da polícia. De acordo com os promotores, eles poderão responder pelos crimes de falsidade ideológica, falsidade material, lavagem de dinheiro e também de facilitação de fuga. Parentes do ex-médico estão na lista de investigados. “Eles devem alegar escusa absolutória (um perdão pelo fato de a ajuda ser dada a um parente) para não responder por facilitação de fuga”, disse o procurador-geral.

“Há recursos tanto da defesa quanto da promotoria no Tribunal de Justiça”, disse o procurador-geral. A defesa questiona a atribuição do MP para investigar o ex-médico. O MP recorre para aumentar a pena. “Ele foi condenado à pena mínima em cada um dos casos”, explicou Elias Rosa. 

Na mira. Com a renda oriunda de seu trabalho como médico e com a transferência do dinheiro supostamente lavado, Abdelmassih se manteve no Paraguai. Ele vivia no país havia três anos. 

A operação que culminou com a captura do ex-médico foi iniciada há três semanas, com a polícia do Paraguai informando todos os passos de Abdelmassih. Desde a semana passada, agentes da PF estão no Paraguai, onde vigiaram a casa luxuosa do foragido na Villa Morra, um bairro de classe alta de Assunção. / COLABOROU JOANA LOPES, ESPECIAL PARA O ESTADO

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