Depois de 3 dias, Lula fará hoje na TV pronunciamento ''''emocionado''''

Após vaia no Pan e tragédia, presidente evitou aparições públicas; ainda não existe previsão para viagem a SP

O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Há três dias afastado dos holofotes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará hoje à noite um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, na tentativa de expressar sua solidariedade às famílias das vítimas do vôo 3054 da TAM. Auxiliares do presidente já começaram a preparar as linhas básicas do pronunciamento e vão arrematá-lo hoje, depois da reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). A intenção de Lula é fazer um pronunciamento que dará maior ênfase ao lado humano, à consternação com a tragédia. Alguns de seus assessores o aconselharam a aproveitar a TV para apresentar medidas que o governo deve adotar, com o objetivo de reduzir o tráfego aéreo no Aeroporto de Congonhas. O presidente, no entanto, ainda não bateu o martelo sobre esse ponto. Até onte, Lula não tinha telefonado para o governador paulista, José Serra (PSDB). Uma aparição pública do presidente em São Paulo está sem previsão. Por não querer correr o risco de ser vaiado - como há uma semana, na abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Rio - e por temer passar a impressão de que a solidariedade com as vítimas do acidente aéreo possa ser interpretada como um ato demagógico, Lula não deverá ir a São Paulo enquanto as investigações não tiverem definido claramente a causa da tragédia. ''''É PRECISO TER CORAÇÃO'''' A falta de protagonismo público de Lula pós-acidente com o Airbus da TAM vem sendo questionada pela opinião pública e pela oposição. Na reunião de ontem da coordenação política do governo, no Palácio do Planalto, o presidente deixou claro que o que menos importa, agora, é o possível desgaste político. A preocupação do governo, nas suas palavras, deve ser unicamente a busca de uma solução rápida para o caos no sistema aéreo. ''''É preciso ter coração para lidar com as famílias e serenidade para administrar e governar'''', afirmou Lula, segundo relato de um participante da reunião da coordenação política. ''''Não se pode tomar decisões precipitadas.'''' Logo depois do acidente, o Planalto chegou a discutir se o presidente Lula deveria ir imediatamente para São Paulo mostrar a ''''cara'''' do governo. Venceu o grupo de auxiliares e ministros que avaliou que a idéia poderia sugerir demagogia, já que Serra estava à frente dos holofotes, fazendo o papel de líder de uma sociedade em luto. Para complicar, o presidente teve de fazer uma cirurgia de retirada de um terçol, afastando-se anteontem das audiências no Planalto. O presidente avalia que há ''''precipitação'''' de formadores de opinião que associaram o acidente à crise aérea que se arrasta há dez meses, desde a queda do avião da Gol, em setembro do ano passado, na rota Manaus-Brasília. Depois das primeiras análises do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) e da Infraero, o Planalto trabalha cada vez mais com a versão de que o acidente com o avião da TAM não tem relação direta com a pista reformada do Aeroporto de Congonhas. Mas já se prepara para o bombardeio político. No diagnóstico do presidente Lula, é quase certo que a tragédia não é resultado da crise aérea, ''''mas tem peso igual''''. Na reunião de ontem da coordenação política, ele destacou que ninguém consegue desvincular o acidente do caos no sistema. Lula e seus auxiliares diretos dizem considerar normal e aceitável o clima de emoção que tomou conta, por exemplo, de colunistas que culpam o governo pela tragédia em Congonhas. De qualquer forma, o presidente exige rapidez para enfrentar os problemas, humanidade e serenidade.

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