Deputada usa tese do mensalão e alega que dinheiro era de caixa 2

Procurador-geral diz que depoimentos indicam que parlamentar recebeu outros repasses além do que foi gravado em vídeo

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Março 2011 | 00h00

Acusada e pressionada a renunciar, a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) encontrou uma defesa para o dinheiro recebido das mãos de Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção no Distrito Federal. Em nota divulgada ontem, ela afirmou que os recursos são caixa 2 de campanha eleitoral.

A tese, porém, deve ser combatida pelo Ministério Público Federal. Na avaliação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o que importa é a origem do dinheiro, fruto de desvios dos cofres públicos do DF.

A defesa de Jaqueline é semelhante ao discurso adotado pelo comando do PT à época do escândalo do mensalão petista. Então tesoureiro do partido, Delúbio Soares disse na época que se tratava de "recursos não contabilizados" o dinheiro repassado aos parlamentares. A afirmação foi uma maneira de afastar acusações de corrupção e de desvios dos cofres públicos.

Na opinião de Gurgel, o Ministério Público tem poucas dúvidas sobre a origem do montante repassado por Durval Barbosa a Jaqueline Roriz no vídeo, revelado pelo portal do Estado no dia 4 de março. "Tudo aponta no sentido de que seja ilícita (a origem)", afirmou.

De acordo com o procurador, o Ministério Público já identificou o crime de peculato, mas pode acrescentar outros durante a investigação. Ainda segundo Gurgel, Jaqueline Roriz teria recebido outros repasses de Durval Barbosa, além do dinheiro que aparece no vídeo.

Detalhes. Gurgel afirmou ainda que, em depoimento, Durval disse que os recursos entregues a Jaqueline não ficaram restritos apenas aos que aparecem nas imagens. "Ele (Durval) se referia àquelas imagens e faz referências de que teria havido outros pagamentos", explicou o procurador, acrescentando que o relato de Durval sobre Jaqueline "não é rico em detalhes". Por isso, salientou, será necessário aprofundar as investigações.

Na nota divulgada ontem, Jaqueline Roriz afirmou que foi Durval quem a convidou para entregar o dinheiro. "Durante a campanha eleitoral de 2006 estive algumas vezes no escritório do senhor Durval Barbosa, a pedido dele, para receber recursos financeiros para a campanha distrital, que não foram devidamente contabilizados na prestação de contas da campanha", afirmou a deputada.

Jaqueline anunciou ainda que vai tirar uma licença médica de cinco dias da Câmara dos Deputados. A deputada apresentou um atestado médico, emitido um uma clínica localizada no Rio de Janeiro, para justificar a licença de cinco dias e seu afastamento do Congresso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.