'Desaparelhar para financiar'

No 'JN', Serra fala em cortar desperdícios e enxugar cargos para custear mínimo de R$ 600

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse ontem, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, que deverão custar cerca de 1% do orçamento do ano que vem as promessas que fez de aumentar o salário mínimo para R$ 600, dar o 13.º salário para quem tem Bolsa-Família e mais 10% para os aposentados. Para conseguir esses recursos, disse que pretende, se eleito, contar com um aumento de arrecadação que já está nas previsões. "E mais o corte em desperdícios e o encolhimento dos cargos de confiança, gente que não faz concurso, que está lá por apadrinhamento."

Serra foi o segundo convidado do JN. Sua rival Dilma Rousseff (PT) foi recebida pelos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes, pelos mesmos 11 minutos, na segunda-feira.  

 

 

 

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Na entrevista - que além das promessas econômicas abordou a polêmica sobre aborto e a denúncia de desvio de dinheiro da campanha tucana -, Serra afirmou que foi Dilma a responsável pela polêmica religiosa, por ter dito uma coisa e depois outra sobre o assunto. "Não fomos nós que levantamos nem exploramos o caso", afirmou. "Nunca explorei isso do ponto de vista de que ela estaria errada por ser a favor do aborto."

Serra cobrou ainda da rival o súbito gosto por religião: "Ela não fez outra coisa senão passar a frequentar igrejas, coisa que antes não fazia".

Na questão dos aumentos do mínimo, do 13.º e das aposentadorias, o tucano disse que considera essas propostas "fundamentais do ponto de vista social", Para pagá-las, mencionou "uma subestimativa da receita do ano que vem". E, ainda, "tem o efeito positivo que as próprias medidas causarão na arrecadação".

"E por que, então, isso não é feito agora pelo governo?" Serra respondeu a essa questão afirmando que "é porque eles têm outras prioridades. Estão desenvolvendo muitos subsídios a investimentos provavelmente não rentáveis".

O candidato negou, várias vezes, que tenha havido desvio de dinheiro de sua campanha - denúncia que envolveria um ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. "Não houve desvio na campanha, que seria a vítima, no caso", afirmou.

Convidado a explicar o que queria dizer a frase de Paulo Preto em entrevista à Folha de S.Paulo - "não se abandona um líder ferido na estrada" -, comentou, apenas que "sempre tem gente dentro de um partido que gosta de um, gente que não gosta de outro". Mas o assunto "volta, posto pelo PT, porque eles gostam de nivelar todo mundo. Como se os escândalos na Casa Civil, ou desse senhor Cardeal, como se tudo isso pudesse ser reproduzido. Eu não tenho nenhum chefe da Casa Civil."

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