Diante de repercussão negativa, Kassab desconversa

Diante da repercussão negativa a respeito de suas movimentações para a criação de um partido, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, voltou ontem de uma viagem ao exterior decidido a esfriar o debate público sobre sua iminente saída do DEM.

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

14 Março 2011 | 00h00

"Eu estou mais próximo do caminho da cidade de São Paulo. Essa é minha prioridade. Todos sabem que não tive nenhuma movimentação político-partidária nos últimos meses, até porque aguardo a convenção do meu partido", disse o prefeito, após inspeção na Ponte das Bandeiras, em São Paulo, no final da manhã de ontem. Antes de viajar, Kassab reuniu-se com o presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Também manteve conversas com o PMDB, por meio do vice-presidente, Michel Temer.

Após voltar de uma viagem de dez dias pela França, Kassab deve anunciar nos próximos dias a sua saída do DEM. O prefeito pretende criar o PDB (Partido da Democracia Brasileira) e, eventualmente, fundir a nova legenda com o PSB, o que ainda não está definido. O prefeito pode ficar na nova sigla sem promover a fusão com o PSB, o que tem sido defendido por alguns aliados e por lideranças pessebistas.

Kassab disse que, após a convenção do DEM, na terça-feira, fará uma reunião com os principais líderes do partido, os ex-senadores Jorge Bornhausen (SC) e Marco Maciel (PE), além do senador José Agripino Maia (RN), futuro presidente da legenda. O prefeito disse ainda não ter decidido se participa da convenção.

Publicamente, Kassab diz que não decidiu nem se sairá mesmo do DEM. As movimentações dele, no entanto, já desagradam ao Palácio dos Bandeirantes e, na avaliação de aliados, têm implicação negativa no eleitorado paulistano, já que o nome do prefeito está envolvido nas articulações políticas há cinco meses.

"Durante quase 10 dias me dediquei quase que exclusivamente a isso (trabalhar pela cidade), numa missão oficial à França, que trouxe excelentes resultados para a cidade. Portanto não esteve no meu norte, na minha bússola, a questão política. Apenas as administrativas", disse.

Questionado sobre a repercussão negativa de suas negociações no Palácio dos Bandeirantes, Kassab afirmou que quer ajudar Geraldo Alckmin (PSDB)a fazer um bom governo. Mas disse que também irá colaborar com a presidente Dilma Rousseff (PT), de quem tem se aproximado.

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