Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Dilma abre discurso de 2º turno com ataque a projeto de Serra para o mínimo

Candidata diz que modelo atual prevê reajustes sistemáticos e insiste na comparação entre Lula e FHC

Renato Andrade BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, deixou claro ontem que pretende rebater com força os ataques que forem lançados pelo ex-governador José Serra durante as próximas quatro semanas. Menos de 24 horas após o início efetivo do segundo turno das eleições presidenciais, Dilma questionou propostas defendidas por Serra, como o aumento do salário mínimo, e propôs "esclarecimentos sistemáticos" à população para qualquer acusação vinda do PSDB.

Sem citar o nome de Serra, a petista qualificou a polêmica sobre sua posição em relação ao aborto, que teve impacto no seu desempenho nas urnas no domingo, de "campanha perversa" lançada por seus adversários na reta final do primeiro turno. Dilma afirmou que pretende continuar o debate com movimentos religiosos e revelou que a estratégia definida para as próximas semanas é prestar "sistematicamente" esclarecimentos à população todas as vezes em que houver acusações feitas com base em "calúnias e difamações".

Fernando Henrique. A comparação entre os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso também continuará sendo a linha-mestra da campanha. A candidata insistiu que, ao fazer essa análise, não está se buscando uma avaliação de "retrovisor", mas sim discutindo com os eleitores se há interesse em continuar programas desenvolvidos pelos petistas ou um retorno às políticas de FHC.

Segundo a petista, Serra não pode evitar a discussão sobre as políticas tocadas pelos tucanos durante os oito anos em que estiveram no Palácio do Planalto. "Não basta discutir projeto pontual, temos que discutir os projetos para o Brasil, queira meu adversário ou não", afirmou a candidata. Ela aproveitou para alfinetar mais uma fez o ex-governador, que evitou durante o primeiro turno associar sua imagem à do ex-presidente Fernando Henrique. "Se esse foi seu governo, quem me garante que não irá repeti-lo?", afirmou.

"Lula não é remédio". A participação do presidente Lula como principal cabo eleitoral de Dilma também será estendida para o segundo turno. Mas a petista evitou comentar se a presença do presidente na sua campanha será tão ostensiva como na primeira etapa da disputa pelo Palácio do Planalto ou se haverá algum tipo de moderação.

"Em relação ao presidente Lula a gente não pode falar em dose certa. Ele não é propriamente um remédio. É uma solução para várias coisas, mas não é um remédio", disse a ex-ministra.

Dilma também atacou a proposta de Serra de elevar o valor do salário mínimo em 2011 para R$ 600 e de aumentar os benefícios previdenciários em 10%. Para a petista, a manutenção do modelo de reajuste estabelecido pelo governo Lula levará o salário para valores acima de R$ 600 ao longo dos anos, porque o sistema prevê aumentos sistemáticos. "Não adianta dar um aumento forte num ano e depois paralisar, como no passado."

A petista também disse que cabe a Serra demonstrar como vai adaptar o Orçamento da União aos reajustes que prometeu. "Há uma diferença entre falar e fazer. Quando eles puderam mais, eles fizeram menos. Nós, não."

"Jogo baixo". A estratégia de atacar de forma mais firme o ex-governador paulista ficou clara até mesmo quando Dilma fez elogios à candidata do PV, Marina Silva, que abocanhou votos da petista na reta final, levando a disputa presidencial para o segundo turno. Segundo a candidata, Marina fez uma campanha de "alto nível", sem "jogo baixo como fez o meu adversário".

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