Dilma afaga Lupi, mas quer que PDT enquadre rebeldes

Presidente tenta fortalecer ministro pedetista, que foi isolado no partido pelo grupo de Paulinho ao defender o mínimo de R$ 545

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

04 Março 2011 | 00h00

Depois de isolar o PDT e não convocá-lo para uma reunião de líderes de partidos aliados, a presidente Dilma Rousseff recebeu ontem em seu gabinete o único ministro da sigla, Carlos Lupi (Trabalho). A estratégia da presidente é fortalecer o pedetista, que foi isolado no partido pelo grupo do deputado Paulinho Pereira da Silva (SP), presidente da Força Sindical, ao defender o salário mínimo de R$ 545.

Em rápida entrevista no Planalto, Dilma tentou demonstrar que Lupi mantém seu espaço no governo e que nem ele, nem o partido, correm risco de perder o cargo. "O ministro Carlos Lupi é de minha inteira confiança", afirmou a presidente. "O PDT fica no Ministério do Trabalho. Agora, eventuais problemas na base serão resolvidos pelo partido, e não pelo governo."

Dilma fez as declarações logo após uma solenidade de assinatura de acordos com o primeiro-ministro do Timor Leste, Xanana Gusmão. Na conversa com os jornalistas, a presidente disse que o encontro com Lupi foi um "despacho normal", minimizando os efeitos da crise envolvendo o governo e o PDT e as retaliações ao partido que apresentou mais dissidentes nas votações do projeto do salário mínimo.

Ironia. Dilma também afirmou que nunca houve a possibilidade de Carlos Lupi ser demitido. "Sem dúvida nenhuma, acho estranho como meu ministro sai do governo e eu sou a última a saber", disse a presidente, em tom de ironia.

Anteontem, Dilma se reuniu com 15 líderes aliados no Palácio do Planalto. O PDT foi excluído da lista de convidados preparada pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Setores do governo chegaram a dizer que a retaliação ao PDT partiu de Vaccarezza, mas o próprio parlamentar admitiu que recebeu ordens da presidente para tirar o partido do rol de convidados.

O Planalto aposta que a retaliação ao PDT, a primeira a um partido da base governista desde 2003, neutralize os dissidentes da legenda e evite novos ataques de aliados a propostas do Executivo. Uma das preocupações de Dilma e sua equipe é o comportamento dos aliados na análise e votação do projeto que reajusta em 4,5% a tabela do Imposto de Renda. As centrais sindicais reivindicam um porcentual maior. O Planalto, porém, avisou que não há como discutir qualquer aumento acima desse índice.

Conselho. Ontem, Vaccarezza disse que o PDT participará da reunião do Conselho Político, em data ainda a ser marcada. O Conselho Político reúne os presidentes e os líderes dos partidos aliados. "O PDT será convidado para a reunião do Conselho Político. É lá que vamos debater as políticas do governo", disse o líder do governo na Câmara.

O partido também estará na reunião da base governista, marcada para o dia 15. Faz parte da rotina do líder do governo reunir os líderes dos partidos aliados todas as terças-feiras, no almoço, para discutir a pauta da semana no Legislativo. O líder do PDT, deputado Giovanni Queiroz (PA), confirmou que participará dessa reunião.

O PDT não foi convidado para o encontro da base com Dilma porque, dos 26 deputados que participaram da votação do mínimo, 9 apoiaram o reajuste para R$ 560, 16 seguiram a orientação do Planalto e 1 se absteve.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.