Dilma dá cargos aos sem-mandato do PMDB

A presidente Dilma Rousseff começou a dar um lugar para os derrotados do PMDB no segundo e terceiro escalões, conforme havia prometido à direção do partido antes da demonstração de fidelidade da legenda na votação do salário mínimo de R$ 545, no mês passado.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

10 Março 2011 | 00h00

O Diário Oficial da União de ontem publicou a nomeação do ex-deputado Colbert Martins, da Bahia, para comandar a Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Turismo, do Ministério do Turismo. O ato foi assinado pelo ministro Antonio Palocci (Casa Civil), ao qual cabe nomear as pessoas para esses cargos.

Colbert Martins, que já pertenceu ao PPS e se transferiu para o PMDB por influência do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), tentou a quarta eleição em outubro, mas não obteve êxito numa disputa em que o PMDB se saiu muito mal na briga com o PT no Estado. O próprio Geddel foi candidato a governador e foi derrotado por Jaques Wagner (PT), reeleito.

O Ministério do Turismo é da cota do PMDB do presidente do Senado, José Sarney (AP), que indicou o deputado Pedro Novais (MA) para titular da pasta. Novais protagonizou o primeiro grande escândalo dos ministros de Dilma Rousseff. Em junho do ano passado ele financiou, com dinheiro da Câmara, uma festa num motel de São Luís ao custo de R$ 2,1 mil. A notícia foi divulgada pelo Estado.

Palocci chegou a defender um recuo na nomeação de Novais, mas Sarney fez pressão e o afilhado ficou no posto. Em compensação, seu ministério foi esvaziado pelos cortes no Orçamento.

Brigas. A nomeação do novo dirigente da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) tem provocado grandes escaramuças entre o PT e o PMDB da Região Norte. O PT faz forte pressão para nomear a ex-governadora paraense Ana Júlia Carepa para o cargo. O PMDB, tendo na trincheira dos padrinhos o senador Eduardo Braga (AM) e o deputado Luiz Otávio (PA), insiste na manutenção de Djalma Mello. Antes, o PT havia lutado para tornar Ana Júlia presidente do Banco da Amazônia.

Para a direção da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) a briga ocorre dentro do PSB do Rio Grande do Norte. Uma ala defende a ex-governadora Wilma de Faria; outra, o ex-governador Iberê Ferreira. A presidente aguarda o fim da disputa para nomear o dirigente, que será do PSB.

No caso da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), o nome para a direção do órgão é o do ex-govenador Iris Rezende (PMDB-GO). A Sudeco ainda não foi constituída, mas Dilma garantiu que a tirará do papel este mês.

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