Dilma elogia STF e diz que decisão facilita votação

Candidata do PT comemorou fim da obrigatoriedade de apresentar um documento com foto e o título eleitoral na hora de ir às urnas

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, comemorou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a exigência de que o eleitor apresentasse documento com foto e título eleitoral na hora de votar. Segundo a petista, a determinação do STF vai facilitar o "ato de votação" para milhões de eleitores.

"Essa vitória no STF mostra que, agora, (a interpretação) não é uma concepção só do PT, mas mostra a convicção do Supremo no sentido de que a votação do dia 3 pode ser feita apenas com o documento de identidade.

Isso significa a compreensão de que havia, de fato, restrição na exigência do outro documento", afirmou a Dilma em entrevista no Hotel Marriott, em Copacabana, onde ela está hospedada desde quarta-feira.

Na avaliação da candidata, a exigência dos dois documentos atingiria todos os segmentos da população e não apenas as camadas mais populares na qual ela apresenta vantagem segundo as pesquisas de intenção de voto. "Todo mundo tinha a prática no Brasil de votar com a carteira de identidade. Chegava na mesa e tinha lá seu nome. Muito poucas pessoas lembravam de levar o titulo. Isso ia causar muita confusão".

A petista também comentou a "onda de boatos" da qual disse ser vítima nos últimos dias. Para ela, está havendo uma tentativa de "aterrorizar as pessoas" e de "demonizar" sua candidatura.

"Acho lamentável. Tenho sido vítima de boatos sistemáticos. Eu não pego os boatos e vou acusar alguém. Não faço isso. Muita gente faz isso sem prova nem nada. Vai e sai acusando as pessoas", disse Dilma. "Tem certos tipos de informação que beiram a tentativa mais grosseira de aterrorizar as pessoas e demonizar a minha candidatura. Não acredito que a população brasileira tenha qualquer dúvida sobre a minha candidatura."

Propostas. Dilma fez uma avaliação sobre os três meses de campanha e disse que se esforçou para fazer uma campanha propositiva e que não restringisse qualquer tipo de informação para o eleitor. Segundo ela, ficou claro que sua candidatura representava a continuidade do governo Lula.

A petista ainda se queixou de sua adversária Marina Silva (PV), por ter feito críticas sobre sua alegada posição favorável em relação a mudanças na legislação sobre o aborto. Dilma disse que nunca escondeu sua posição pessoal contrária à prática, mas, na sua avaliação, trata-se de questão de saúde pública, e não de polícia.

Ela disse que não pretende enviar nenhum projeto de lei para o Congresso sobre o assunto nem vai convocar plebiscito sobre o tema - proposta apresentada por Marina durante a campanha.

Segundo Dilma, os países que fizeram plebiscito sobre a questão do aborto ficaram divididos e com muito atrito entre os grupos que tinham posições divergentes sobre o assunto. A poucas horas da realização do debate considerado mais importante para a campanha, a petista parecia irreverente. Sorriu ao ser informada que a imprensa europeia estaria classificando como a nova "dama de ferro" da política e avaliando que ela poderia ser a mulher "mais poderosa do mundo". "Não me incomodo com mais nada nesta campanha", disse a candidata sobre a maneira como a imprensa europeia está a classificando.

Interpretação

DILMA ROUSSEFF

PRESIDENCIÁVEL DO PT

"Essa vitória no STF mostra que, agora, não é concepção só do PT, mas mostra a convicção do Supremo no sentido de que a votação do dia 3 pode ser feita apenas com o documento de identidade. Significa compreensão de que havia restrição na

exigência do outro documento"

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