Dilma garante que não vai liberar o aborto

Em visita a entidade que atende gestantes carentes, petista diz que assunto deve ser tratado não como caso de polícia, mas de assistência social

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2010 | 00h00

Dilma Rousseff, candidata à Presidência pelo PT, disse ontem que "querer criar contradição religiosa onde não tem é criar um clima de divisão no País, é algo que não honra a democracia". Alvo de críticas de entidades religiosas e de opositores porque teria defendido a descriminalização do aborto, ela declarou que a eleição atravessa processo que "contraria tudo o que o Brasil conseguiu construir, um País que nunca teve conflito religioso".

Dilma visitou a Amparo Maternal, instituição filantrópica com 71 anos de história, na zona sul de São Paulo. Durante uma hora ela percorreu as instalações do antigo casarão da Rua Loefgreen. Tirou fotos com 40 grávidas e voluntárias e emocionou-se ao ser tocada no rosto por uma criança de colo. Foi a terceira agenda de caráter religioso que Dilma cumpriu desde que se viu em meio à polêmica.

A candidata assegurou que sua ida à maternidade, conhecida como Casa da Mãe Solteira, não é uma resposta à controvérsia em que se envolveu. "Não vou liberar o aborto. Eu quero dizer que não enviarei nenhuma alteração na legislação em hipótese alguma como o governo Lula durante 8 anos não enviou. Eu vim aqui como afirmação da política de saúde e assistência para a mulher gestante desassistida, grávidas de 4 ou 5 meses que se sentem abandonadas e muitas deixam os filhos."

Estado laico. A petista disse que "não se deve tratar (o aborto) como uma questão de polícia, mas de apoio e assistência social". Ela criticou "a tentativa de construir essa eleição em cima de divergências religiosas" e lamentou "as famílias que se dissolveram pelo processo de desigualdade implantado pelos governos tucanos".

"O Estado é laico, obrigado a respeitar as diversidades culturais e religiosas", acentuou. "Não pode interferir na vida do cidadão e definir no que ele acredita. A liberdade de crença e de religião é tão importante quanto a liberdade de imprensa e de opinião."

Ela apontou para seu antagonista, José Serra (PSDB). "Se continuar essa rede de boatos e de intrigas só pode vir do meu adversário. A margem para se fazer especulações reduziu. Eu acredito em uma deliberada tentativa de fazer com que a gente entre só nessa pauta. Antes eram 10 candidatos e você não sabia de onde vinha. Daqui para frente só tem dois."

"Minha proposta é maior apoio à mulher pobre para que não tenha medo que a obrigue a chegar a esse ponto, a eliminação da vida", afirmou. "Hipocrisia é fingir que não vê que isso acontece em todos os bairros pobres desse País."

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