Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Dilma pede aliança para 'combate à miséria'

Presidente cita papa e diz que superação da crise não pode ser feita 'só com austeridade'

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2013 | 00h22

RIO - Em discurso de saudação ao papa Francisco, na segunda-feira, 22, no Rio, a presidente Dilma Rousseff pediu "uma aliança de solidariedade" em torno das ações de erradicação da fome e da miséria. O tema também foi tratado durante reunião privada de 15 minutos entre Francisco e a presidente.

Segundo o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, Dilma tem a intenção de reunir líderes mundiais em torno de uma ação conjunta de combate à pobreza, em especial na África, assunto que teria sido discutido durante a reunião privada. "A ideia é transformar coincidência de posições em prática e fazer uma grande mobilização internacional, mas o formato ainda não existe. A ideia é criar mecanismos não assistencialistas, mas de autonomia do povo africano", disse o ministro.

"A crise econômica desemprega e retira oportunidade de milhões pelo mundo afora e nos obriga a um novo senso de urgência para combater a desigualdade. A participação de Vossa Santidade agregaria mais condições para criar uma ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade", discursou a presidente.

Ela citou discurso do papa de 16 de maio, em que ele manifestou preocupação com "as desigualdades sociais agravadas pela crise financeira" e com a "globalização da indiferença". Dilma disse que a "estratégia de superação da crise não pode ser feita só com austeridade".

A presidente fez referência aos protestos recentes no País e afirmou que as conquistas do Brasil "são só um começo" e ainda há muito a ser feito. "Sabemos que podemos encarar novos desafios e tornar nossa realidade cada vez melhor. Esse foi o sentimento que moveu, nas últimas semanas, centenas de milhares de jovens a irem às ruas. Democracia gera desejo por mais democracia, por inclusão social, por qualidade de vida", discursou a presidente, que exaltou avanços no País "nos últimos dez anos", em referência ao período o PT no poder federal. "Fizemos muito, e sabemos que há muito a ser feito. Nesse processo, temos contado com a profícua parceira com a Igreja."

Dilma e o papa ficaram sozinhos no palco montado no jardim de inverno do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado. Depois dos discursos da presidente e do papa, ela apresentou ao pontífice 25 autoridades de sua comitiva.

Depois dos cumprimentos, Francisco desceu para cumprimentar as pessoas na plateia. O papa foi aplaudido com entusiasmo várias vezes e todos tentaram fotografá-lo o mais perto possível. Segundo o governo do Estado, a recepção, com 650 convidados, custou R$ 850 mil.

Entre as autoridades presentes estavam o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, e os governadores Sérgio Cabral (Rio), Agnelo Queiroz (DF), Jaques Wagner (BA), Teotônio Vilella Filho (AL), Simão Jatene (PA) e José Anchieta Júnior (RR).

No voo de volta a Brasília, a presidente disse a interlocutores que ficou "alegre e encantada" com a recepção do papa. Para ela, Francisco vai sair "amado do País" e já teria demonstrado a "vocação de grande pastor".

Coro na recepção. Voluntárias que trabalham na recepção do Palácio Guanabara choraram e cantaram enquanto viam pelos telefones celulares as primeiras imagens de Francisco no Brasil. / COLABOROU LEONÊNCIO NOSSA

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