André Dusek/AE
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Dilma reage e diz que governo ‘não ficará quieto’ diante do bloqueio de rodovias

Presidente usa lema da Bandeira Nacional para criticar as interdições comandadas por caminhoneiros nos últimos dias; Planalto se preocupa com prejuízos crescentes à economia

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2013 | 22h54

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff reagiu ao bloqueio das estradas promovido pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), que entrou ontem no terceiro dia, afirmou que não aceitará que rodovias sejam interrompidas e avisou que o governo "não ficará quieto" diante das manifestações. Também ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou a prisão de quem bloquear estradas. Desde segunda-feira, 15 pessoas foram presas.

Dilma usou o lema da Bandeira Nacional, "Ordem e Progresso", para criticar os protestos. "Ordem significa democracia, mas significa respeito às condições da produção, da circulação e da vida da população brasileira", afirmou, em cerimônia pública no Palácio do Planalto. O "progresso", de acordo com Dilma, podia ser visto naquela cerimônia, com a abertura, pelo governo, dos 50 primeiros terminais portuários privados.

"O governo não negocia isso. Não concordamos com processos que levem a qualquer turbulência nas atividades produtivas e na vida das pessoas", disse. A presidente fez questão de distinguir as manifestações pacíficas, "que muito engrandecem o País", de atos "completamente diferentes", promovidos por quem acredita que "o País possa viver sem normalidade e estabilidade". E avisou que "é fundamental que estradas não sejam interrompidas".

Ela encerrou sua fala destacando que "por isso, retomo e acrescento democracia como uma questão pétrea do nosso País, mas a nossa bandeira expressa também o sentido que os nossos fundadores republicanos deram ao País, que é de Ordem e Progresso".

‘Voz das ruas’. O protesto dos caminhoneiros preocupa o Planalto por pelo menos dois motivos. A primeira avaliação é de que se trata de um movimento crescente, sem sinais de arrefecimento, apesar das pesadas multas impostas aos sindicatos grevistas. Segundo, há prejuízos crescentes ao País, justamente quando não param de chegar notícias ruins da economia, como o registro de queda de 2% na produção industrial.

Além disso, desde o início dos protestos nas ruas, há três semanas, o governo, depois de ficar atônito e paralisado, passou a fazer uma ampla convocação de diferentes setores para ouvir "o clamor das ruas". A expectativa era de que, passadas as primeiras semanas, os movimentos diminuíssem. Não se contava, no entanto, com o surgimento de demandas de categorias fortes como os caminhoneiros, que podem prejudicar a atividade econômica.

Há temor ainda no Planalto de que outros segmentos possam espelhar-se na categoria.

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