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Dilma tenta segurar ministros do PMDB, no centro das crises

A presidente Dilma Rousseff avalia que o escândalo no Ministério do Turismo é mais grave e tem maior potencial de estrago do que as denúncias de corrupção envolvendo a pasta da Agricultura e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Dilma tenta segurar tanto o ministro do Turismo, Pedro Novais, como o da Agricultura, Wagner Rossi. O primeiro foi indicado pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). O segundo é afilhado do vice-presidente da República, Michel Temer.

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Vera Rosa ,
O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2011 | 00h00

É Temer quem está fazendo a ponte para evitar que a crise escancarada no Turismo afete o relacionamento do PMDB com o Planalto. Quanto a Rossi, o vice está tranquilo. Dilma ordenou a demissão dos diretores da Conab, mas, sem querer comprar briga com Temer, está decidida a preservar o ministro. A menos que, mais para a frente, não haja condições políticas para a manutenção dele.

Embora a presidente também pretenda deixar Novais onde está - mesmo porque tem dificuldade em encontrar um substituto na bancada do PMDB - , a situação do titular do Turismo é considerada mais complicada. As investigações indicam que o desvio de dinheiro começou quando o ministério era comandado por Luiz Barreto (PT) - ex-secretário executivo de Marta Suplicy na época em que ela dirigiu a pasta - mas, no diagnóstico do Planalto, o escândalo pode chegar a Novais.

Dilma só ficou sabendo da Operação Voucher, da Polícia Federal - que resultou na prisão de 35 pessoas - por volta de 8h30, quando estava reunida com ministros, no Planalto. Pouco antes da cerimônia sob medida para turbinar o Supersimples, ela conversou com Temer e com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Na hora do almoço, preocupada, voltou a discutir o assunto com auxiliares mais próximos, no Palácio da Alvorada.

As investigações sobre Barreto surpreenderam Dilma e ministros, já que ele é de "inteira confiança" do governo e do PT. Na tarde de ontem, durante a reunião com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), não escondeu a irritação. Disse a Ideli que o PMDB não aceitaria a "partidarização" do escândalo no Turismo.

"O PMDB não está imune a investigações, mas nós sabemos muito bem de onde vêm essas denúncias", insistiu Renan. Em conversas reservadas, peemedebistas afirmam que os dossiês sobre irregularidades nos convênios foram entregues à Polícia Federal por dois funcionários ligados ao PT e demitidos por Novais. Dilma disse não estar interessada na origem das denúncias. Quer saber, porém, se elas têm procedência.

Na reunião de hoje com o Conselho Político - formado por presidentes e líderes dos partidos da base do governo -, a presidente pedirá união e apoio. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também estará no encontro. Diante da choradeira sobre a falta de liberação dos recursos para as emendas, Mantega baterá na tecla da cautela e conclamará a base aliada a apertar o cinto.

Entre incrédulos e insatisfeitos, os aliados estão em pé de guerra. Um aponta o dedo para o outro. "Eu acho que tem gente no governo que trabalha contra o governo", provocou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical e outro alvo de denúncias. Em sete meses de administração Dilma, três ministros já caíram: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Nelson Jobim (Defesa).

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