Dilma vai pagar obras que já estejam em andamento

Em jantar com deputados e senadores do PT, Mantega garante que corte de gastos não vai atingir serviço iniciado

Vera Rosa e Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Março 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff deve anunciar hoje, na primeira reunião do ano com o Conselho Político do governo, que obras já iniciadas por meio de contratos e convênios não serão interrompidas e receberão recursos, mesmo após o corte no Orçamento. O Palácio do Planalto prepara um decreto deixando claro que obras em curso não serão atingidas pelo cancelamento dos restos a pagar, como é conhecido o dinheiro comprometido do Orçamento de anos anteriores.

A preocupação do governo é não dar discurso para a oposição, que não se cansa de repetir que o PT esperou passar as eleições para paralisar obras nos municípios. Há mais um ingrediente eleitoral nessa queda de braço: em 2012 haverá disputas municipais e todos os lados querem ficar bem com os prefeitos.

Em jantar com deputados e senadores do PT, na terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tranquilizou os petistas e prometeu anunciar os critérios para a escolha das obras que não serão canceladas. "Tudo o que foi iniciado será honrado", disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Mantega avisou, porém, que obras sem convênio e que não saíram do papel serão suspensas.

O cancelamento da liberação de verbas dos orçamentos de 2007, 2008 e 2009 provocou mal estar entre o Planalto e os partidos da base. Lideres aliados querem restabelecer o pagamento e estimam em R$ 60 bilhões o dinheiro de emendas referentes aos restos a pagar dos três anos.

O governo está fazendo uma triagem das obras, mas já admite um novo decreto. Durante o jantar, Mantega expôs as perspectivas da economia para este ano e disse que a "consolidação fiscal" foi necessária para moderar o crescimento e conter a inflação.

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