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‘Divórcio eleva pobreza e afeta estabilidade’

Marina Azaredo - O Estado de S. Paulo

25 Março 2014 | 03h 00

No Brasil para celebrar o 20º Ano Internacional da Família, a coordenadora do Programa da Família das Nações Unidas Renata Kaczmarska afirma que o Bolsa Família é considerado bom exemplo

Qual é o conceito de família para a ONU hoje?

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a família é o fundamento da sociedade e precisa de suporte e proteção do Estado.

Como a família mudou nos últimos 20 anos?

Muitas coisas mudaram, mas basicamente o casamento está menos estável. Em uma escala global, 45% dos matrimônios terminam em divórcio.

O divórcio é um problema?

É um problema na medida em que tem impacto sobre as crianças. Um dado comprovado é que os filhos de um casal que se divorciou também têm grandes chances de se divorciar, talvez por eles não terem tido um bom modelo de família. E o divórcio também afeta a estabilidade, porque há mais chances de pobreza quando há só um provedor no lar.

E os casais homossexuais? A ONU os considera famílias?

Diferentes países têm diferentes posições. O que nós levamos em conta é como ajudar as famílias. Não há um consenso sobre isso.

Não é difícil trabalhar com tantas diferenças?

Sim, é difícil. Mas as coisas estão mudando e nós não queremos interferir na definição de família nos países. O que nós fazemos é focar em políticas que apoiem as famílias. É por isso que trabalhamos em três áreas: pobreza nas famílias, o equilíbrio com o trabalho e questões intergeracionais.

Que países têm boas políticas nessas áreas?

A França e a Escandinávia têm boas políticas, como a licença-paternidade. Para questões intergeracionais, Singapura faz trabalho interessante. Se jovens famílias decidem viver perto de seus pais, pagam menos impostos. Já o Brasil é elogiado pelo Bolsa Família, pois a transferência de renda quebra a transmissão intergeracional da pobreza.

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