Doações ocultas são maioria na prestação de contas do ministro

Mais de 90% dos recursos recebidos na campanha em 2010 foram arrecadados pelo comitê ou pelo partido

Mariângela Gallucci / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2011 | 00h00

Na disputa pelo governo amazonense no ano passado, o hoje ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, teve sua campanha abastecida por doações predominantemente ocultas. Dados da Justiça Eleitoral mostram que em 91,32% dos recursos recebidos pelo então candidato do PR não é possível saber qual foi a empresa doadora.

Essa modalidade de doação é aquela na qual o dinheiro é arrecadado pelo comitê financeiro ou pelo partido político (principalmente com empresas). Somente depois o valor é transferido ao candidato. Os políticos beneficiados por essas transferências não precisam informar nominalmente quem lhes deu o dinheiro e, com isso, os eleitores não têm condições de saber exatamente de onde vieram as doações.

Especialistas em direito eleitoral costumam afirmar que, por mais que a Justiça tente inibir essa modalidade de doação, a tarefa é impossível porque o dinheiro não é carimbado.

De acordo com os dados disponíveis na página do Tribunal Superior Eleitoral, Nascimento recebeu R$ 10.881.186,07 como doações para sua campanha. Desse total, R$ 8.860.000,00 foram repassados pelo comitê financeiro único, R$ 626.800,00 pelo diretório estadual e R$ 450.000,00 pelo diretório nacional do PR.

As outras doações, recebidas de empresas e pessoas físicas, somaram R$ 944.386,00. Entre as empresas que contribuíram com o candidato estavam a Moto Honda da Amazônia e a Videolar. A assessoria do ministro disse ao Estado que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) aprovou a prestação de contas da campanha e que "os recursos arrecadados na disputa eleitoral foram todos distribuídos pelo partido". O ministro também enviou ao jornal um arquivo de mais de 800 páginas com a prestação de contas.

Aumento. Os dados da Justiça Eleitoral mostram que houve um crescimento significativo das doações ocultas em 2010. Os 12 maiores partidos do País repassaram para campanhas mais de R$ 500 milhões nessa modalidade de contribuição. Em 2008, as doações ocultas somaram R$ 250 milhões.

No segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2007-2010). Nascimento também ocupou o cargo de ministro dos Transportes, posto responsável pelo controle de grandes obras do governo federal.

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