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Fred Loureiro/Divulgação

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Documento apontava riscos de queda de pedras em Vila Velha

Mais de mil famílias estão desalojadas após queda de uma enorme rocha do Morro da Boa Vista, no Espírito Santo, na última sexta-feira

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Vinícius Rangel,
Especial para O Estado

04 Janeiro 2016 | 20h54

VILA VELHA - Um documento protocolado na Prefeitura de Vila Velha, região metropolitana de Vitória, Espírito Santo, alertava sobre os riscos de possíveis desabamentos de pedras na região do Morro da Boa Vista, onde, na última sexta-feira, 1, uma rocha de três mil toneladas caiu. A pedra atingiu quatro casas e deixou 14 pessoas feridas.

A afirmação partiu do ex-prefeito da cidade, Neucimar Fraga (PSD), cuja equipe desenvolveu, em 2012, os documentos. Ele diz que ficou assustado quando viu o atual prefeito Rodney Miranda (DEM) afirmando em entrevistas a emissoras de televisão que o ocorrido poderia ter sido reflexo da péssima administração passada.

Um dos documentos foi protocolado na prefeitura no dia 11 de dezembro de 2012.  No laudo técnico produzido pelo Serviço Geológico do Brasil, consta o seguinte trecho em relação ao morro Boa Vista: “de acordo com o CPRM - Serviço Geológico do Brasil, o morro é de rocha granítica fraturada e com grandes juntas de alivio. Ocorrência de muitos blocos de rochas soltos e parcialmente encaixadas que podem atingir residências a montante”.

Segundo Fraga, durante a sua administração, de 2009 a 2012, ele realizou diversas ações na área do Morro Boa Vista, como o remanejamento de famílias do local. O processo que tramitou durante o ano de 2013 foi arquivado no dia 29 de julho de 2015. Seis meses depois do arquivamento do processo, moradores do Morro da Boa Vista foram vítimas da tragédia já prevista pelos especialistas.

“Hoje ele disse que não teve acesso a nenhum documento, mas fomos atrás e provamos que nós deixamos relatórios para ele sobre o risco. Nós realizamos ações no morro e tiramos famílias de lá. Após o meu mandato, ele deveria ter dado continuidade ao trabalho. Ele teve acesso ao relatório que deixei na prefeitura e usou para fazer o plano de contingência de 2013", esclareceu o ex-prefeito.

Miranda, em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, afirmou que tudo não passa de um jogo político da oposição. “O documento que está sendo usado politicamente por um grupo de oposição ao meu governo de 2012 não subsidiou o nosso plano de contingência, e sim um relatório do governo federal, feito no início de 2012”, afirmou Miranda.

Laudo. Na manhã desta terça-feira, 5, a prefeitura de Vila Velha e especialistas vão apresentar um relatório sobre a causa do incidente. Engenheiros do Instituto de Geotécnica do Rio de Janeiro (Geo-Rio) chegaram a Vila Velha na manhã desta segunda-feira, 4, para ajudar a apurar a causa da queda da pedra. Até o momento, 1.262 famílias estão desalojadas.

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