Dor e revolta no velório de bombeiros e voluntários

Velório das vítimas provocou romaria de colegas de outras cidades, que foram consolar famílias

Agência RBS,

11 Outubro 2007 | 09h16

Acostumados a ajudar em tragédias, bombeiros e policiais enfrentaram situação oposta durante o trágico duplo acidente que aconteceu em Santa Catarina, na noite de terça-feira. Quatro bombeiros e um policial militar morreram na tragédia. Além deles, pessoas que voluntariamente deixaram seus carros para ajudar no resgate acabaram vítimas do acidente.    Cinegrafista morto em acidente ainda tentou ajudar no resgate  Sai lista dos 27 mortos em duplo acidente em SC    Entre as 27 vítimas do acidente estão os bombeiros Leonir Francisco Bagatini, de 43 anos; Carlos Françozi, de 34; Roberto Inácio Borghetti, de 41; e Evandro Daltoé, de 31, além do PM Ilvânio Marcos Schnem, de 29 anos. Eles se encontravam na pista, prestando socorro às vítimas da colisão entre um ônibus e uma carreta, quando foram atingidos por um caminhão desgovernado. Outros nove soldados seguem internados nos hospitais da região.   No velório dos militares em São Miguel do Oeste, colegas de várias cidades se solidarizaram com as famílias. Bagatini tinha 20 anos de profissão. Françozi havia completado 11 anos e aceitou deixar o dia de folga para auxiliar no socorro. Seu pai, Alberto Françozi, estava inconformado com a situação. Bastante abalado, disse que o motorista do caminhão é uma pessoa sem condições, pelos relatos de quem estava no local. "É impossível soltar um caminhão naquela velocidade. Motorista que é motorista tomba o caminhão e não faz o que ele fez."   Odair Domingos Andriollo, bombeiro há 20 anos, foi até o local da tragédia depois do segundo acidente. Ele também estava de folga e foi convocado para ajudar no resgate. Ainda não conseguia imaginar como a tragédia pode ter acontecido. "O local estava bem sinalizado e seguro", garantiu.   Voluntários   Os bombeiros se emocionavam também ao falar de outras vítimas da tragédia. Elio Moss, de 33 anos, por exemplo, vendeu sua parte da banda Caravana Band Show, em que tocava bateria e cantava, para seguir uma paixão - ser bombeiro voluntário. Era separado, mas namorava havia quase dez anos e planejava casar. Não tinha filhos, mas cuidava da filha da namorada como se fosse dele. No momento do acidente, dava aulas para futuros bombeiros voluntários. Foi chamado para ajudar no resgate do primeiro acidente e morreu na BR-282.   Edinei Ângelo Roth, de 27 anos, foi outro dos que seguiram voluntariamente para a rodovia, com o intuito de salvar vidas, e acabou morrendo. Ele vendia frutas e alguns passageiros eram antigos amigos e clientes. Em meio às histórias tristes, o bombeiro Rogério Golin, de 31 anos, admitiu ser "uma pessoa de sorte". Ele ajudava no resgate na ribanceira, quando ouviu gritos e um estrondo: o caminhão desgovernado arrastava tudo o que havia pela frente. "Desse momento até estar com as pernas embaixo do caminhão foi muito rápido."   Quando percebeu que seus braços não haviam sido atingidos, Golin puxou a lona e conseguiu tirar o pé ferido, que estava embaixo do caminhão. Ainda conseguiu ajudar outra pessoa ferida. Logo foi colocado em um carro particular e levado para um hospital. Teve escoriações no corpo e fraturas na cabeça. Apesar disso, foi ao velório dos colegas, na Igreja Matriz São Miguel Arcanjo. "Quero tentar minimizar o sofrimento das famílias dos meus companheiros. Tenho uma filha de 7 meses. Poderia ter sido eu."

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