'É preciso calibrar o crescimento com a velocidade do País'

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

Ronaldo Lessa, candidato do PDT ao governo de Alagoas

Como fazer para aumentar a renda do Estado? Contar com o quê? Aumento de impostos?

É preciso atuar na repactuação do Fundo de Participação dos Estados (FPE), que ocorrerá no próximo ano e renegociar com o governo federal os termos do acordo do ajuste fiscal, que foi muito duro com Alagoas, um Estado pobre que necessita de mais investimento. O governo precisa construir alternativas para induzir o processo de desenvolvimento. Quando fui governador, modernizei a lei de incentivos fiscais, com vista à atração da empresa convencional, mas criei uma legislação voltada para a microempresa. Criei também o Banco do Cidadão, para fomentar o microcrédito e viabilizar oportunidades para o pequeno negócio. No campo fazendário, é cobrar dos devedores os tributos pertencentes ao Tesouro.

Qual será a estratégia principal do seu governo?

É hora de acelerar nosso crescimento. É como se Alagoas tivesse parado no tempo, quando comparado com o ritmo dos Estados nordestinos. Acredito ser possível dinamizar os agentes econômicos e sintonizar nosso crescimento com o ritmo do Brasil do presidente Lula e da futura presidente Dilma. O foco, portanto, será no âmbito social. O meu programa propõe um novo modelo de gestão, a partir de diagnósticos e estabelecimento de metas baseadas nas prioridades regionais. Desejo estabelecer uma forte parceria municipalista e criar, numa ação unitária com as prefeituras, os Comitês Regionais de Desenvolvimento Econômico e Social.

Quais são suas propostas para desenvolver uma economia sustentável em Alagoas?

A agricultura familiar e a economia solidária ganharão novo impulso, para diversificar oportunidades, gerar renda e fixar o homem no campo. No campo da sustentabilidade, o turismo é fundamental para Alagoas. Não há como avançar nesse setor sem saneamento, que significa qualidade de vida. É uma área em que irei buscar forte apoio federal. No programa da Frente Popular, há ainda o projeto "Alagoas sem lixão". A ideia é viabilizar linhas de financiamento e criar consórcios municipais para acabar com a difusão de resíduos sólidos em áreas ambientalmente incorretas. É também compromisso concluir as obras do Canal do Sertão, transformando-o num instrumento de desenvolvimento. Outra prioridade é estimular a instalação de plantas para geração de energia limpa, como eólica e solar.

O seu governo vai intensificar algum tipo de política diferenciada em relação à educação, saúde ou outro setor básico?

Na área da saúde, vou construir uma unidade materno-infantil no complexo Benedito Bentes, em Maceió, e outra para gestantes de alto risco em Palmeira dos Índios, além de um hospital geral na cidade de Arapiraca. O objetivo é descentralizar a assistência e aproximá-la daquele que precisa da mão solidária do Estado. Há o projeto das UPAs e a reestruturação da rede de hospitais, sem falar na necessidade de concurso para profissionais da saúde. No campo habitacional, a meta é construir 40 mil unidades em quatro anos. Quanto à educação, que o atual governo abandonou, o projeto passa por um plano de erradicação do analfabetismo, pelo aumento do número de escolas em tempo integral e pela construção de seis novas escolas profissionalizantes, com cursos que obedecerão às vocações econômicas regionais.

O apoio aos candidatos presidenciáveis, em segundo turno, será importante em que sentido? Minha candidatura foi construída em torno de um projeto desenvolvimento que tem o aval do presidente Lula e conta com a aprovação da Dilma. A vinculação é importante, porque ajuda a população a distinguir os projetos políticos e administrativos que serão julgados nas urnas.

Qual é a maior prioridade do Estado hoje?

Alagoas perdeu, no século passado, duas décadas de desenvolvimento e amarga os piores índices sociais. Ao mesmo tempo, possui um potencial extraordinário de desenvolvimento, basta listar seus recursos hídricos: litoral, Rio São Francisco e um complexo-lagunar invejável. As oportunidades estão aí, sobretudo neste momento em que o Brasil cresce e as alternativas aparecem. É preciso calibrar o nosso crescimento com a velocidade do País e conquistar da União Federal um tratamento justo para as nossas necessidades.

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