Educação é mote para troca de acusações

Dilma critica modelo das escolas técnicas no 'governo tucano de SP' e Serra rebateu ataques da rival sobre privatizações

, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2010 | 00h00

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) aproveitaram ontem o Dia do Professor para exibirem programas quase temáticos sobre educação no horário eleitoral na TV.

O tucano, primeiro a aparecer no horário noturno, se comprometeu a criar "um canal de diálogo permanente" com os educadores e "ajudar Estados e municípios a cumprirem o pagamento do piso para os professores do ensino fundamental". A petista disse que sua meta é oferecer "boa remuneração" e "principalmente excelente capacitação".

Não faltaram trocas de acusações entre os candidatos. Na voz de apresentadores, a campanha de Dilma criticou o modelo das escolas técnicas no "governo tucano de São Paulo": "Lá o jovem ou faz o curso técnico ou o ensino médio." O filmete petista exibiu trecho de declaração de uma especialista em ensino técnico, na qual ela critica a "preocupação excessiva com redução de custos" em São Paulo.

Outro aspecto abordado pela propaganda de Dilma foi o sistema de aprovação automática, classificada como "problema grave da educação paulista". "Eles (os alunos) passam de ano mesmo que não tenham aprendido quase nada", afirmou a apresentadora, para depois concluir: "O fato é que, com Serra, o ensino em São Paulo não foi para frente." O vídeo também exibiu títulos de seis reportagens de jornais que expõem deficiências na rede ensino paulista.

Já Serra usou os minutos finais de sua propaganda para contra-atacar sua adversária. Tachado por Dilma como o comandante da privatização de estatais no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o tucano reagiu. "Olha, eu não sou de ficar enrolando, então eu vou direto ao assunto: nos últimos dias, a campanha do PT está me atacando todo o tempo com um montão de mentiras e informações falsas", anotou Serra. "Isso é típico. Nas véspera de eleição , o PT sempre inventa coisas para confundir o eleitor."

O candidato tucano continuou dizendo que, nos últimos 25 anos, "todos os presidentes privatizaram - Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula -, em cada época por necessidades diferentes". Serra afirmou que, se eleito, vai "fortalecer as empresas públicas brasileiras". Ele deu ênfase à Petrobrás, alvo dos ataques da presidenciável petista, que acusa seu oponente de querer "privatizar o pré-sal". "Eu luto pela Petrobrás desde que eu era líder estudantil, aos 21 anos", afirmou o candidato do PSDB. Serra citou ainda o Banco do Brasil, a Caixa, os Correios e a Eletrobrás.

Afirmou também que vai "impedir que essas empresas continuem sendo usadas para interessas particulares, privados ou de partidos e de turmas de turmas de políticos". "Vou impedir o loteamento de cargos, que sempre acabam em corrupção", prometeu o presidenciável tucano.

Biografias. Os programas dos dois candidatos mudaram neste segundo turno o enfoque dado às biografias deles. Preocupada com os reflexos da polêmica sobre o aborto, a campanha de Dilma já vinha retratando a petista como mulher que "respeita os valores da família brasileira" e que é "a favor da vida".

Ontem foi a vez do programa tucano dar uma guinada, claramente em busca de votos junto ao eleitorado de baixa renda. "Vocês sabem que eu vim de baixo. Nasci numa família humilde, morava numa vila operária, numa casa de quarto e cozinha", lembrou Serra. "Com oito ou nove anos", prosseguiu, "eu já ajudava meu pai a vender fruta". "Por isso, eu conheço a vida das famílias mais pobres, não por ouvir dizer, mas porque eu vivi. Eu sei onde o calo aperta."

Já Dilma relembrou no programa de ontem sua trajetória, desde a infância em Belo Horizonte, passando pela prisão durante a ditadura militar até chegar ao posto de ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula. Fazem parte do álbum de imagens mostradas pela campanha petista fotos dela ao lado da filha e do ex-marido, de véu cumprimentando o papa Bento XVI e, por fim, em eventos com Lula.

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