Eike defende Cabral e diz não ver problemas em ceder jato

Empresário alega que seu grupo empresta aviões a amigos e funcionários: 'Se fosse ilegal, eu jamais faria'

Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2011 | 00h00

O empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, saiu ontem em defesa do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), que passa pela pior crise dos seus quatro anos e meio de mandato. Eike classificou como "perfeito" e "maravilhoso" o projeto do peemedebista de criar um código de ética que regule as relações entre governantes e o empresariado.

A proposta foi apresentada na quarta-feira, dez dias após Cabral usar um jato particular do empresário para viajar à Bahia, onde iria participar dos festejos de aniversário de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Eike emprestou sua frota ao governador em pelo menos mais uma ocasião: em 2009, quando Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, foram para a Dinamarca defender a candidatura da cidade à sede da Olimpíada.

Eike definiu o grupo empresarial que controla como "diferenciado", pois cede seus jatos a amigos e funcionários. Ele confirmou também que fez doações para campanhas de Cabral e de "vários" outros políticos que elegeram-se governadores em 2010.

"Se as pessoas não têm recursos, se você acredita na linha de conduta que esse governador vai fazer, eu faço", afirmou o empresário, após participar de solenidade na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. "Que se estabeleça esse código de conduta. O governador falou, é isso aí. É o que tem que fazer. Vamos respeitar o código. A gente respeita as regras do jogo", disse o empresário.

O fato de emprestar um jato para o governador não significa, para Eike, que haja um comprometimento do Estado em beneficiá-lo em suas atividades empresariais. "Se fosse ilegal, eu jamais faria. Não é", disse ele, para quem suas doações "são para a cidade". "UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora, principal programa de segurança pública do governo Cabral), Lagoa (Rodrigo de Freitas, que Eike banca a despoluição). Meus Deus, eu faço isso por todos vocês. Vocês moram no Rio? Eu dou porque acredito na democracia. Vocês acreditam na democracia?", disse, questionando os jornalistas.

Acidente. As relações entre Eike e Cabral foram expostas há duas semanas, quando o empresário emprestou seu jato para o governador ir à Bahia. O peemedebista foi com o filho Marco Antonio e a namorada dele, Mariana Noleto, participar dos festejos de aniversário do também empresário Fernando Cavendish. A queda de um helicóptero que servia ao grupo provocou a morte de Mariana, de Jordana Kfuri, mulher de Cavendish, e do filho dela.

A Delta recebeu mais de R$ 1 bilhão em contratos na gestão Cabral e o grupo EBX obteve R$ 79,2 milhões de benefícios fiscais no mesmo período. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público do Rio.

Licitação. Ontem, o governo do Rio abriu as propostas da concorrência pública para a contratação de empresa que vai prestar serviços de assessoria de imprensa e relações públicas para a administração. Apenas duas empresas compareceram. A FSB Comunicações, que já cuida da conta do Palácio Guanabara, e a Companhia de Notícias (CDN). O valor máximo no edital era de R$ 18 milhões para um ano de contrato. As propostas vão passar por análise técnica e não há prazo para a conclusão do certame. Não foram divulgados os valores oferecidos pelas empresas. / COLABOROU ALFREDO JUNQUEIRA

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