AE
AE

Eleito com apenas 13 mil votos

Para ganhar R$ 1 milhão na final do Big Brother Brasil 5, o baiano Jean Wyllys, de 35 anos, expôs sua vida na TV por três meses e conquistou o apoio de 55% dos telespectadores do programa. Na disputa por uma vaga no Congresso, o tímido professor universitário evitou fazer corpo a corpo nas ruas nos três meses de campanha, mas foi eleito deputado federal pelo PSOL com apenas 0,16% dos votos do Estado do Rio.

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

Em 2011, Jean chegará à Câmara como o parlamentar que conseguiu se eleger com o menor porcentual de votos do País, mas garante que os números não diminuem os méritos de sua candidatura. Apesar de ter ficado famoso no reality show, o nome do programa sequer foi citado por Jean em panfletos e nos breves sete segundos a que tinha direito na propaganda eleitoral de seu partido.

"Eu fiz uma opção que tornou a minha campanha muito difícil, mas quis deixar claro desde o início que a candidatura era do cidadão e não da celebridade", afirma. "Diziam que eu era burro, que eu deveria explorar isso para aumentar o meu potencial de votos, mas eu me recusei a fazer isso. Me recusei até a fazer a barba", conta o professor, que não usava barba quando venceu o programa.

Com 13 mil votos, Jean foi o segundo candidato a deputado federal mais votado do PSOL fluminense, o que lhe garantiu a vaga na Câmara. A legenda conseguiu duas vagas pelo Estado graças à votação expressiva do deputado Chico Alencar, reeleito com 240 mil dos 320 mil votos que o partido recebeu no Rio. "Não estou indo na carona de ninguém. Eu contei com os votos do Chico, com os meus votos e com os votos dos meus companheiros de partido. Eu batalhei muito para ser o segundo candidato mais votado do PSOL", diz Jean. "Se a legislação determina que o mandato é do partido, nada mais justo que a vaga vá para o segundo mais votado da legenda."

Apoio. Nascido em Alagoinhas (BA), Jean se engajou em movimentos sociais e ONGs de defesa dos direitos humanos desde jovem. Formado em Jornalismo e com mestrado em Letras pela UFBA, decidiu entrar na política por sugestão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Alinhado aos ideais do PSOL, Jean se filiou ao partido e aceitou registrar sua candidatura a pedido da presidente da legenda, a ex-senadora Heloisa Helena (AL).

Em Brasília, Jean diz que vai lutar pelos direitos humanos, pela liberdade religiosa, pela ética pública e pelos direitos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Para ele, a decisão de não associar sua imagem ao Big Brother foi uma maneira de fortalecer essas bandeiras e valorizar sua candidatura. "Foi uma vitória muito maior do que se eu tivesse usado a minha participação no programa durante a candidatura", avalia. "Com certeza, eu teria conseguido mais votos, mas não era isso o que eu queria. Eu queria uma candidatura que representasse a minha luta."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.