DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Em dois anos, PCC dobra de tamanho em Roraima

Promotor que investiga a facção criminosa no Estado afirma que grupo passou de 96 integrantes para 400; governadora pede ajuda

Fabio Serapião, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2017 | 03h00

BOA VISTA - Responsável por investigar a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima, o promotor Marco Antônio Azeredo afirma que o número de integrantes da facção no Estado quadruplicou em dois anos - saiu de 96, em 2014, para cerca de 400 em 2016. Em entrevista ao Estado, o promotor disse ainda ter sido avisado por meio de relatórios de inteligência que os massacres podem se repetir em Rondônia e no Acre.

As revelações são feitas no mesmo dia em que a governadora Suely Campos (PP) oficializou o pedido ao governo federal de envio da Força Nacional de Segurança e a liberação de recursos para a construção de mais um presídio.

O PCC é apontado como responsável pelo massacre de 33 detentos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), em Boa Vista, na madrugada do dia 6. Em 2014, Azeredo foi o responsável pela primeira investigação contra a facção, que deu origem à Operação Weak Link. Em parceria com a Polícia Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), mapeou toda a estrutura do PCC no Estado e denunciou 96 integrantes da facção e suas principais lideranças.

Segundo o promotor, informações da inteligência do MPE e documentos apreendidos pela Polícia Militar durante as revistas nas penitenciárias de Roraima dão conta que, desde a Weak Link, o número de integrantes “batizados” pelo PCC saltou de 96 para 400.

“Esse número vem de apreensões de livros de batizados e documentação relativa aos novos membros, todos identificados pela PM. A informações que tínhamos no ano passado era de 400”, afirma o promotor.

Os relatórios de inteligência que falam de novos massacres no Acre e em Rondônia foram produzidos, segundo Azeredo, depois das mortes no Amazonas. “Inúmeros relatórios de inteligência foram disparados. Para Roraima, para Rondônia, a Secretaria de Segurança Pública daqui foi informada”, diz. A informação do promotor é a mesma recolhida pelo presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Roraima, Lindomar Ferreira Sobrinho. De acordo com ele, “as informações que chegam é que novas mortes podem acontecer em outros Estados, como Acre e Rondônia”.

Ajuda. No pedido de ajuda encaminhado ao presidente Michel Temer e ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a governadora Suely Campos reitera a necessidade do envio de cem policiais da Força Nacional de Segurança para auxiliar “no controle” da Monte Cristo. Segundo a governadora, o Estado atualmente não pode garantir a integridade física dos presos de “forma plena” sem comprometer o policiamento ostensivo nas ruas de Boa Vista.

Ainda no pedido, Suely Campos aponta a necessidade de envio da Força de Intervenção Penitenciária Integrada, grupo especializado do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). No documento, a governadora explica que o grupo já atuou na retomada do controle de um presídio no Ceará.

Além do reforço no efetivo, a governadora solicita também auxílio financeiro para conclusão da Penitenciária de Rorainópolis, no sul do Estado. Segundo o requerimento, a obra foi abandonada na gestão passada e poderia acrescentar 660 vagas no sistema prisional estadual. O valor pedido é de R$ 9,9 milhões.

Outro ponto do pedido do governo de Roraima é a transferência imediata para presídios federais de oito detentos identificados como líderes da facção envolvida nas 33 mortes.

O Ministério da Justiça informou que vai analisar os pedidos e definirá nos próximos dias a ajuda ao Estado. Integrantes do Depen, vinculado ao ministério, estão avaliando o plano de atuação do governo federal.

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