Em 6 anos, São Paulo terá novo aeroporto, ao custo de R$ 5 bi

Local mais provável é o município de Jundiaí; outra possibilidade seria Pirassununga

Luciana Nunes Leal e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O Conselho de Aviação Civil (Conac) abriu caminho ontem para a construção de mais aeroporto internacional em São Paulo, que deverá inaugurar também um novo sistema de gestão, com parceria entre poder público e iniciativa privada. Outra recomendação é a abertura do capital da Infraero, com possibilidade de venda de ações a investidores, desde que o governo continue a ser o principal acionista. A inclusão da iniciativa privada tem como objetivo aumentar os investimentos no setor aéreo, em xeque desde o acidente com o Boeing da Gol, em setembro passado. As fragilidades foram ainda mais expostas com a tragédia do Airbus A320 da TAM, na última terça-feira. O local mais provável para receber o novo aeroporto é o município de Jundiaí, mas ontem a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse apenas que será na região metropolitana de São Paulo. Outra possibilidade seria a cidade de Pirassununga. "Não sabemos onde será. E, se soubéssemos, não diríamos agora. Não seremos fator de especulação imobiliária", afirmou Dilma. Com investimento estimado em cerca de R$ 5 bilhões, o aeroporto ficaria pronto em cerca de seis anos. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Aeronáutica têm prazo de 90 dias para apresentar ao governo as melhores opções para a localização do novo aeroporto. "Será preciso levar em conta uma série de fatores, como o local com possibilidade de melhor logística, a área que cada local tem disponível, a distribuição dos passageiros. E temos grande preocupação em garantir a área de segurança no entorno do aeroporto", afirmou Dilma. Um novo aeroporto em São Paulo seria uma alternativa importante no momento em que o Conac decidiu proibir a abertura de linhas internacionais com pouso e decolagem em São Paulo. A Anac está encarregada de tentar renegociar com as companhias aéreas alterações no maior número possível de linhas internacionais já existentes, buscando remanejar os pousos e decolagens para aeroportos como Tom Jobim, no Rio, e Confins, em Belo Horizonte. "Negociar não é impor. A idéia é recomendar que se tomem medidas para descongestionar São Paulo", disse Dilma. A Infraero avalia que a construção de um terceiro aeroporto internacional em São Paulo é mais barato que a fazer uma terceira pista no aeroporto de Guarulhos. Uma nova pista exigiria a remoção de cerca de 20 mil pessoas que vivem no entorno do aeroporto. Seria como construir uma cidade, resumem autoridades da estatal. Jundiaí, a 60 km a noroeste de São Paulo, cidade servida pelas rodovias Anhangüera e Bandeirantes, tem a localização como atrativo para receber o excesso de demanda de aviões executivos da capital paulista. Só em 2006, o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) investiu R$ 2 milhões em obras de ampliação do Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro e a prefeitura, por meio de convênio com o governo do Estado, realizou obras de pavimentação, terraplenagem e drenagem de vias públicas orçadas em R$ 1,5 milhão. Segundo o presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Fernando Machado, em visita à cidade há três meses, técnicos da Anac disseram que o município oferece condições climáticas propícias para a aviação. "Os técnicos disseram que temos condições meteorológicas para receber aeronaves, mas o aeroporto não tem nem a torre de controle, então o município precisaria de investimentos pesados, não paliativos, que possam assegurar não somente o conforto dos passageiros, mas sobretudo sua segurança", disse o vereador. "Em vez de pensar em aumentar aeroportos e fazer obras que dêem visibilidade, o governo federal precisará investir em uma obra tecnicamente viável. No calor das emoções, as decisões às vezes deixam de ser técnicas para serem políticas. E isso não pode, ainda mais com um assunto sério como esse." O prefeito Ary Fossen (PSDB) informou que ainda não foi procurado por autoridades do Estado ou governo federal após o acidente com Airbus da TAM, para discussão sobre nova ampliação do aeroporto estadual ou construção de um aeroporto na cidade. MULTAS A Anac vai aumentar as multas impostas às companhias aéreas por irregularidades como overbooking (venda de número de passagens maior que os lugares disponíveis) e atrasos de mais de quatro horas nos vôos. O Conac deu prazo de 30 dias para a Anac apresentar um novo plano de cobrança das multas. Também serão aumentadas as tarifas aeroportuárias, taxas pagas pelas empresas para o aluguel de hangares e balcões de atendimento. O conselho deixou claro que serão respeitados os contratos já em vigor e que as tarifas mais altas serão incluídas nas renovações das cessões do poder público para a utilização dos aeroportos.

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