Em Alagoas, tropas tentam evitar fraudes

Campeão em crimes eleitorais, Estado teve campanha tensa, com troca de acusações e poucas propostas

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Neste domingo, 2 milhões de alagoanos vão às urnas sem saber se vão eleger o novo governador ou o síndico de uma massa falida. O Estado tem uma dívida de mais de R$ 7 bilhões, quase cinco vezes mais que a arrecadação anual de R$ 1,5 bilhão, detém o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, é campeão em taxa de analfabetismo e homicídios e tem a terceira menor renda per capita.

Para completar o cenário, os dois candidatos - o atual governador, Teotônio Vilela Filho (PSDB), e o ex, Ronaldo Lessa (PDT) - têm problemas com a Justiça e passaram a campanha jogando lama um no outro até o debate de quinta-feira, na Rede Globo.

Alagoas carrega a tradição de ser campeã em fraudes eleitorais, com compra de voto, aliciamento de eleitores e ostensiva boca de urna. O acirramento da disputa, em meio a tantos problemas, levou a Justiça Eleitoral a reforçar a segurança e a mandar tropas federais para nove municípios.

Foi também montada uma Comissão de Combate a Delitos Eleitorais, integrada por um núcleo de juízes, com apoio da associação de oficiais de Justiça e de entidades civis, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Igreja. "Vamos agir com muito rigor contra a boca de urna e a fraude", avisou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Estácio Gama de Lima.

Ex-governador e ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o advogado Guilherme Palmeira acha que os dois candidatos perderam a oportunidade de discutir propostas para tirar o Estado do atraso e, nos debates e na campanha, não ajudaram o eleitor a decidir. Isso explica a indefinição do eleitorado.

No debate, Lessa, indiciado por peculato e formação de quadrilha pela Polícia Federal na terça-feira, chamou Vilela de "cara de pau" e "ficcionista". Denunciado por suposto recebimento de caixa 2 da empreiteira Gautama, Vilela chamou Lessa de "autista" e "cínico".

Equilíbrio. A última pesquisa Ibope, realizada sexta-feira e divulgada ontem, mostra o equilíbrio da disputa. Vilela tem 48% das intenções de voto e Lessa, 45% - cresceu cinco pontos porcentuais desde o último levantamento. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, os candidatos estão tecnicamente empatados.

No primeiro turno, Vilela teve 39% dos votos, contra 29% de Lessa. O apoio de Lula ao candidato do PDT anulou o favoritismo do governador e equilibrou a disputa no segundo turno. A bala de prata que pôs em xeque a vitória de Lessa foi seu indiciamento pela PF. Ele foi enquadrado por peculato, formação de quadrilha e crime ambiental. Os crimes referem-se à obra de macrodrenagem do Tabuleiro dos Martins. / COLABOROU RICARDO RODRIGUES

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