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Em Brasília, Bloco Pacotão critica censura, STF e satiriza condenados do Mensalão

Gustavo Aguiar - Especial para o Estado

02 Março 2014 | 18h 46

Mascote do bloco representava presidente americano Barack Obama e lembrava o escândalo de espionagem envolvendo o país norte-americano e o Brasil

O bloco mais tradicional de sátira política do País, o Pacotão, desfilou pelas ruas de Brasília neste domingo (2). Comemorando 36 anos de carnaval, o bloco saiu neste ano fazendo piada com os condenados do Mensalão, entre outros temas.

A concentração começou por volta das 11h na quadra 302 Norte, do Plano Piloto. O desfile reuniu centenas de brasilienses fantasiados que seguiram pelas quadras da Asa Norte. Muitos deles usavam roupas de presidiários e máscaras de políticos. Uma das marchinhas escolhidas durante o desfile para animar o bloco fala sobre censura. "Para quem pensa que a censura acabou, está enganado, agora que começou", diz um trecho da música.

O Pacotão usou o som do apito para "vetar" políticos e o "eleitor burro". Levaram pito a presidente Dilma Rousseff,  o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, os petistas condenados no processo do mensalão, José Dirceu e José Genoino.

O Boneco do Pacotão nesse ano representava o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,vestido com uma camiseta verde e amarela e lembrava o escândalo de espionagem envolvendo o país norte-americano e o Brasil. Em 2013, boneco representava o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, e vestia toga.

Com faixas e marchinhas improvisadas, os foliões sugeriam que os presos pelo Mensalão fossem transferidos para o presídio de Pedrinhas, no Maranhão. A penitenciária foi alvo de denúncias de desrespeito aos Direitos Humanos no início do ano após a divulgação de um vídeo que mostra detentos degolados.

O Supremo Tribunal Federal também foi alvo de críticas. Uma faixa que os foliões levavam indicava de forma irreverente que eles estavam insatisfeitos com as decisões da Corte Máxima.

Outros foliões ironizavam a tentativa de ligar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) aos manifestantes acusados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade. Na fantasia, um telefone na cabeça, uma foto do deputado e uma camiseta onde se lia a frase "Eu tenho ligação com Freixo", que virou meme na internet na época.