Em busca da supremacia

Com as pesquisas na berlinda, uma esperança tucana de reversão em Minas e aumento da diferença em São Paulo, além dos votos dos indecisos e o risco de abstenção alta, a eleição chega hoje ao seu final com cenários especulativos sobre o futuro quadro político.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Como a política nem sempre tem leitura linear, é o DEM - curiosamente o partido dado como extinto (ou "extirpado" como prefere o presidente Lula) - que centraliza a contabilidade dos especialistas partidários.

Subtraído em mais da metade no Senado e reduzido a 43 deputados na Câmara - o que não lhe dá a possibilidade sequer de pedir verificação de quórum -, o Democratas planeja fundir-se ao PMDB em caso de vitória de Dilma Rousseff.

Avaliações internas indicam que 30 dos seus 43 deputados migrariam para o PMDB invertendo a supremacia petista na Câmara. Os 13 restantes, por razões regionais, tenderiam a juntar-se ao PSDB. No Senado, a adesão seria total.

Em caso de vitória de José Serra, tudo fica como está, na convicção geral de que o PMDB não teria o menor constrangimento em mudar de lado. "Uma metade viria logo, a outra é uma questão de tempo", sintetiza um tucano.

Sob suspeita

Até hoje, dia da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não respondeu a uma das mais graves acusações já feitas a um instituto de pesquisas - no caso o Vox Populi - de fraude e manipulação de questionários. A afirmação é do professor e especialista em pesquisas José Augusto Guilhon, que acompanhou a auditoria técnica autorizada pelo TSE em favor do PSDB, nos dias 6, 17 e 25 de setembro, quando o instituto deu ampla vantagem a Dilma Rousseff. Em 25 de outubro, a última auditoria constatou, segundo Guilhon, que o Vox forjou a tabela, somando as respostas espontâneas com as estimuladas.

Sob suspeita 2

Segundo Guilhon, o Vox Populi coleta a resposta espontânea de 3 mil entrevistados e a resposta "estimulada" de apenas 210. O método, segundo ele, foi aplicado a todas as pesquisas, o que comprova que a fraude não seria pontual, mas sistemática. Sem indecisos.

Segundo ainda a auditoria, o instituto omitiu da imprensa e de seu site que dois em cada três indecisos escolheriam o candidato José Serra, exceção para o Nordeste, em que chegam a 7%/8% do eleitorado.

Pesos diferentes

O julgamento da Lei da Ficha Limpa, que dividiu os ministros do Supremo Tribunal Federal, deixou mais sequelas do que as sugeridas nas sessões transmitidas pela TV. A Justiça Eleitoral está sendo questionada por ministros do STF, por decisões diferentes para casos iguais. Uns citam o engajamento do presidente Lula como exemplo de tolerância com a candidatura governista, que não teve tratamento dado a casos similares de transgressão da Lei.

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