Celso Junior/AE-28/12/2010
Celso Junior/AE-28/12/2010

Em busca de nome ''novo'', Kassab corteja Meirelles

Ex-presidente do BC integra lista do prefeito de São Paulo, junto com Afif e Eduardo Jorge, para disputar sua sucessão em 2012

Julia Duailibi e André Mascarenhas, O Estado de S.Paulo

22 Março 2011 | 00h00

Em busca de um nome "novo" para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012 e defender o seu legado na administração da maior cidade do País, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tem cortejado o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PMDB-GO).

O prefeito manteve conversas recentes com o economista. Chegou a sondá-lo para tocar uma agência de desenvolvimento a ser criada na cidade. Meirelles, no entanto, não aceitou a missão, já que estava no seu radar ocupar a Autoridade Pública Olímpica (APO), após convite feito pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT).

Aliados do prefeito viram como uma vitória Meirelles ter voltado para a presidência da Associação Viva o Centro, ocupada por ele antes de entrar no governo federal, em 2003. Na semana passada, o ex-presidente do Banco Central tomou posse na entidade, num evento que contou com a presença de Kassab e de vários secretários da Prefeitura. Na ocasião, Meirelles falou sobre o centro da cidade e demonstrou conhecimento sobre questões de São Paulo. E Kassab o elogiou.

"É um ganho extraordinário para o município e para o nosso centro, pois ele traz a experiência de uma carreira cujo último cargo foi a presidência do Banco Central. Fiz questão de vir aqui juntamente com o secretariado da Prefeitura para prestigiá-lo e dizer para ele contar conosco para, juntos, fazermos uma cidade cada vez melhor. E ela jamais será melhor se não tivermos um centro melhor", disse o prefeito, no evento de posse de Meirelles na entidade.

Meirelles é visto como bom nome por ter perfil de administrador e ser uma novidade eleitoral em São Paulo. Caso o cortejo a Meirelles funcione, haveria duas possibilidades: o PMDB coligar-se ao PSD (Partido Social Democrático), legenda a ser criada pelo prefeito, ou o ingresso na nova sigla. Em 2009, Meirelles filiou-se ao PMDB de Goiás.

O prefeito tem boa relação com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), que teria interesse em lançar um nome forte do partido em São Paulo. A relação de Kassab com o PMDB paulistano, no entanto, está abalada. Segundo dirigentes da sigla, Kassab teria deixado de cumprir acordos firmados com o partido, entre os quais, cargos na Prefeitura paulistana.

Nomes. Kassab só trabalha com um nome alternativo em São Paulo caso o ex-governador José Serra (PSDB) não queira mesmo disputar a Prefeitura.

Durante o lançamento do PSD, ontem, na Assembleia, o prefeito disse que a sua nova legenda disputará a eleição de 2012 e admitiu trabalhar com três nomes para a candidatura: o vice-governador Guilherme Afif Domingos, o ex-secretário estadual Francisco Vidal Luna (Planejamento) e Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente.

"Convidei três companheiros de governo para refletirem em relação a uma candidatura a prefeito. Os três já disseram que não têm essa predisposição", afirmou Kassab sem citar Meirelles.

Logo depois afirmou que, se nenhum dos três aceitar, buscará uma pessoa com perfil parecido: "Caso nenhum dos três aceite, o que posso afirmar é que será alguém com esse perfil: que acredite neste governo, que possa motivar a equipe a apoiá-lo e que possa mostrar para a equipe que teremos um candidato para defender nossa gestão".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.