Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Em carreata, Dilma se diz emocionada com 'clima de festa'

Candidata petista fez campanha no Rio ao lado do presidente Lula, que não quis[br]dar entrevista

Alfredo Junqueira, Marcelo Auler / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2010 | 00h00

Também em campanha no Rio, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, participou de uma carreata que tomou as ruas de Realengo, Padre Miguel e Bangu - bairros populares da zona oeste da cidade. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador reeleito Sérgio Cabral Filho (PMDB), a petista permaneceu por cerca de duas horas na região, onde venceu no primeiro turno com média de 47,98% dos votos válidos.

A petista parecia emocionada com o clima de festa e a boa receptividade. Comentou rapidamente antes de ir embora: "Foi uma coisa maravilhosa. Vocês podem ver que é algo que fortalece. Uma energia que sobe e passa pela gente toda. Um final de campanha para cima", disse a candidata. "Você viram e acompanharam a carreata. Foi uma coisa maravilhosa. É um clima de festa nesse final de eleição."

Cercado pela imprensa, o presidente Lula, que acompanhou todo o evento, não quis dar entrevista. Disse apenas que a carreata foi importante para a campanha. "A zona oeste do Rio é um local especial para se fazer campanha", afirmou. O presidente pediu para que a carreata parasse em pelo menos três ocasiões para cumprimentar eleitores. Ele colocou a mão no ombro direito algumas vezes queixando-se de dores. Lula já sofreu de bursite (tipo de inflamação) no local.

Além de Lula e Cabral, Dilma teve ao seu lado o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), os senadores Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB), eleitos este ano, e Francisco Dornelles (PP) - que no período de pré-campanha chegou a ser cogitado para ser vice de José Serra (PSDB), quando os tucanos tentaram o apoio do PP.

No carro de trás estavam o ministro Franklin Martins e o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, para quem a carreta "foi muito boa, mas dentro das expectativas, até porque tinha uma expectativa alta".

Militância organizada. Os moradores das casas ao longo dos 12 quilômetros por onde passou a carreata participaram da festa da petista. A participação espontânea dos simpatizantes, no entanto, foi tímida se comparada ao imenso contingente de cabos eleitorais profissionais. Todos uniformizados com camisas vermelhas, bandeiras e remuneração de R$ 100 semanais.

Junto com a militância organizada, os carros de som e parte dos veículos de serviço fazem parte da estrutura de campanha que Cabral dispõe na região. Dois dos homens de confiança do governador foram os responsáveis pela organização do ato. O animador da festa também é o mesmo usado nas campanhas de Cabral. A dedicação foi reconhecida por Dilma, que, no final da carreata, pôs a mão no rosto do peemedebista e agradeceu emocionada.

O percurso priorizou as ruas residenciais às grandes avenidas. Na Rua Silva Cardoso, em Bangu, a algazarra não diminuiu nem quando passou pelo Pro-saúde Hospital de Clínicas. Funcionários e pacientes observaram o ato das janelas. Na Rua Oliveira Ribeiro a carreata foi saudada por um morador com um saxofone da varanda do segundo andar da sua casa. Tanto ali como na Rua Justino de Araújo, várias famílias colocaram cadeiras nas calçadas aguardando a passagem de Dilma e Lula.

No Bangu Shopping, a carreata era esperada por Luiz Azevedo, de 53 anos, técnico de telecomunicação há 30 anos que vem cobrando do governo Lula sua readmissão. Ele foi demitido da Telerj, quando ela ainda era estatal, no governo de Fernando Collor, e cobra do governo a readmissão prometida mas jamais cumprida. Apesar da pendência, ele declara o voto em Dilma.

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