WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Em devoção à santa, professor caminha 135 km até Aparecida

155 mil devotos da Padroeira do Brasil passaram pelo Santuário Nacional de Aparecida nesta quinta-feira, 12, até o meio-dia, segundo balanço parcial divulgado

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

12 Outubro 2017 | 21h23

APARECIDA - Pela primeira vez em 15 anos, a peregrinação de Vagner Alves até o Santuário Nacional de Aparecida no dia 12 de outubro foi diferente: ele trocou carros e ônibus pelos pés. Na ocasião em que a aparição de Nossa Senhora Aparecida completa 300 anos, o professor de educação física, 44, saiu de Paraisópolis (MG) e caminhou 135 quilômetros durante cinco dias. Ao chegar à basílica, por volta das 9 horas desta quinta-feira, 12, acendeu uma vela para oficializar o fim de um ritual que teve início três meses atrás na França.

No dia 12 de junho, o professor deu início ao que batizou de "Caminho de Mariano", em referência às Marias: o percurso começou em Lourdes (França), passou por Santiago de Compostela (Espanha) e Fátima (Portugal), até chegar a Aparecida. 

"A vela que usei em uma procissão belíssima em Fátima eu trouxe na mochila e acendi aqui na Basílica para selar o fim do caminho. Para mim, foi um caminho de gratidão", diz. O roteiro foi planejado no ano passado para celebrar o centenário de Nossa Senhora de Fátima e o tricentenário de Nossa Senhora Aparecida, comemorados em 2017. 

A devoção de Alves à santa teve início em 2001, quando o professor ficou internado por quatro dias após uma infecção intestinal. Havia a suspeita de câncer. "Como sou de família católica e sempre fui religioso, prometi que se não fosse câncer eu viria a Aparecida todos os anos no dia 12 de outubro", conta.

Para evitar a multidão da data e poder trazer os filhos, a enfermeira de Volta Redonda (RJ) Carmen Lúcia Machado, de 50 anos, costuma vir a Aparecida nos dias 12 de outros meses do ano. "Há anos não vínhamos no dia 12 de outubro. Mas em agosto, quando estava assistindo pela televisão a coroação da Santa aqui na basílica, falei para o meu marido: 'Vamos nos 300 anos!'", conta.

Ela preferiu deixar os filhos em casa e foi a Aparecida com o marido, Nilson de Oliveira, motorista de 57 anos, e a amiga, enfermeira Rogéria Zaida, 54. Este ano, Rogéria e Carmen rezam juntas para pedir paz no Rio de Janeiro, emprego para os parentes jovens e o fim da corrupção e da ganância. "Viemos pedir misericórdia pelo Brasil", diz Carmen.

Já a doceira Darcy dos Santos, de 67 anos, saiu de Dourados (MS) para pedir proteção à própria casa, com bênçãos a familiares. Darcy estava colada à grade, no ponto mais próximo possível do altar. Para conseguir o melhor lugar, chegou às 5 horas da manhã e de lá não saiu até o fim da missa principal, que terminou por volta das 12 horas. 

Já se passaram oito anos desde que a doceira decidiu ir a Aparecida todos os dias 12 de outubro. "Meu filho estava com sete meses, teve pneumonia e foi desenganado pelos médicos. Foi enviado pelo hospital para esperar a morte em casa. Rezei e pedi a cura dele. No dia seguinte, meu filho estava melhor. Desde então, minha devoção pela Santa triplicou", explica.

A devoção da leiga consagrada Maria das Graças Caliari, de 53 anos, é fruto de confiança na figura de Aparecida como uma intercessora junto a Deus. Para ela, que é de Águia Branca (ES), a história de Aparecida e dos milagres que teria feito "comove qualquer um". Esta é a quinta vez dela no Santuário: "Desde pequena, quando conheci a história dela, me tornei devota de Nossa Senhora Aparecida", afirma.

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