Em Mariana, 270 desabrigados passam a noite em ginásio e igreja

Desalojados pelo mar de lama que tomou o distrito, os moradores relatam cenas de horror na hora do acidente; buscas recomeçam

Bruno Ribeiro, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 08h45

Atualizado às 9h44

MARIANA - Dos 600 habitantes de Bento Rodrigues, distrito da cidade Mariana, em Minas, destruído após rompimento de duas barragens de rejeitos de uma mineradora, cerca de 150 tiveram de passar a noite de quinta para sexta-feira, 5 e 6, na Arena Mariana, no centro do município. Outras 120 pessoas foram levadas para a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, uma das duas do vilarejo destruído pela queda da barragem. . As buscas pelas pessoas ilhadas pela lama recomeçaram na manhã desta sexta-feira.

Desalojados pelo mar de lama que tomou o distrito, os moradores relatam cenas de horror na hora do acidente. "Um caminhão passou buzinando feito louco, avisando que a barragem rompeu. Ele foi parando e gritando: 'Pula! Pula!'. As pessoas foram se jogando na caçamba, uma sobre as outras", conta a dona de casa Rosa Helena da Silva, de 46 anos, uma das vítimas abrigadas no ginásio poliesportivo da cidade. "No final, o caminhão nem estava mais parando para o pessoal entrar."

Segundo Rosa, quando o grupo chegou a Santa Rita, um vilarejo vizinho, cerca de 60 pessoas estavam no caminhão. "Não teve aviso, não teve nada, só esse caminhão que passou buzinando. Muita gente ouviu os gritos do caminhoneiro, mas não entendeu ou não acreditou e ficou", diz.

 

A dona de casa relata ter visto crianças vomitando por causa da lama com resíduos da mineradora. "Um homem estava com as duas pernas quebradas", afirma. Os desabrigados também recebem donativos no ginásio.

"Meu filho estava de carro e nos levou até a igreja. Não sobrou nada de nossa casa", conta a dona de casa Dirce Breta Sobrera, de 73 anos. Com um pé enfaixado, ainda atônita, ela diz que não sabe como se machucou. "Foi na correria."

As equipes de resgate continuam trabalhando nesta sexta-feira. 

Tragédia. As barragens romperam por volta das 16h desta quinta-feira, 5, entre Mariana e Ouro Preto, a 110 km de Belo Horizonte. A lama atingiu rapidamente o distrito de Bento Rodrigues, destruindo casas e encobrindo ruas e praças

Às 23h, a previsão do Corpo de Bombeiros era de que o número de mortes chegasse a 40 - ainda há desaparecidos e pessoas a resgatar. Moradores das regiões de Paracatu e Paracatu de Baixo também tiveram de deixar as casas, pois havia risco de serem atingidas pela lama de rejeitos.

Mais conteúdo sobre:
Minas Gerais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.