Em SP, contagem voto a voto manteve suspense

Alckmin tinha uma estreita vantagem para decidir a eleição no 1º turno, a poucas urnas do fim da apuração

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2010 | 00h00

O candidato do PSDB ao Governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, mantinha uma estreita vantagem para decidir a eleição no primeiro turno, a poucas urnas do final da apuração, ontem à noite. Às 21 horas, ele tinha 50,75% dos votos válidos, suficientes para evitar o segundo turno. O candidato do PT, Aloizio Mercadante, estava em segundo lugar com 35,06% dos votos.

Não estavam computados os votos dados aos candidatos "nanicos" Paulo Bufalo, do PSOL, Luis Carlos Prates, o Mancha, do PSTU, e Igor Grabois, do PCB. Os três tiveram as candidaturas impugnadas e entraram com recursos. Os votos, no entanto, não entraram nos boletins parciais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), embora tivessem sido contabilizados à parte. O TRE informou, no entanto, que o resultado das eleições ao governo paulista seria proclamado independentemente do julgamento dos recursos.

No final da noite, advogados do PT preparavam-se para entrar com petição no tribunal pedindo que os votos dos três candidatos fossem considerados no resultado final.

As advogadas Marcela Cherubini e Debora de Carvalho Batista, estavam no prédio do TRE à espera do presidente do tribunal, Walter Guilherme, para apresentar petição que validasse os votos obtidos Bufalo, Mancha e Grabois.

Elas entraram em contato com ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos. O líder do PT na Assembleia, Antonio Carlos, também esteve no prédio do TRE. O tribunal informou, no entanto, que os recursos só produziriam efeitos depois que fossem julgados

O problema começou com a impugnação da candidatura do candidato a vice na chapa de Paulo Búfalo, do PSOL, com base na lei da Ficha Limpa. O partido informou ter protocolado na última sexta-feira pedido de substituição do candidato para garantir a validade dos votos dados a ele.

De acordo com advogados do partido, a substituição foi realizada dentro do prazo legal e os documentos foram aprovados. Porém, por questões técnicas e protocolares, a Justiça Eleitoral não conseguiu alterar o sistema para que os votos do candidato fossem divulgados.

Às 21 horas, Paulo Búfalo tinha 43.135 votos (0,34%), enquanto Mancha registrava 14.481 (0,07%) e Igor Grabois, 8.305 (0,06%). As respectivas votações serão divulgados na totalização final dos votos, que só deve sair na tarde de hoje

Com a substituição do vice de Paulo Bufalo, o Professor Aldo Santos, o PSOL indicou para seu lugar Antônio Carlos da Cruz, metalúrgico, ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, conhecido como Tonhão.

Em nota, o partido reafirmou a confiança de que Aldo Santos é inocente e também apresentou defesa nesse processo. O PSDB não havia se manifestado, até o final da noite, sobre o impasse.

Hegemonia. Os resultados do primeiro turno, embora dependentes de homologação pelo TRE, mostram que o PSDB pode ampliar para 20 anos sua hegemonia em São Paulo, caso se confirme a vitória de Geraldo Alckmin. O resultado, porém, foi mais apertado do que as eleições de 2006, quando José Serra elegeu-se no primeiro turno com 57,9% dos votos.

No cômputo geral, o PSDB perdeu eleitores e o PT arrebanhou parte deles. Nas eleições para o governo paulista, há quatro anos, o principal adversário dos tucanos também era o petista Aloizio Mercadante.

Desde a eleição de Mário Covas para o Governo do Estado em 1994 os tucanos não cedem tanto espaço para o PT em território paulista.

Regiões. Alckmin venceu em todas as regiões do Estado, mas o petista cresceu na Grande São Paulo. O tucano repetiu as vitórias do pleito anterior em Santo André, Osasco, São Bernardo e Guarulhos, mas Mercadante venceu em um número maior de cidades, entre elas Diadema, Mauá e Itapevi.

Na capital, a vitória de Alckmin foi mais apertada, embora tenha ganhado no maior número de zonas eleitorais. Mas o tucano reeditou o desempenho de Serra em Campinas.

O candidato do PSDB confirmou o bom desempenho em tradicionais redutos tucanos, como Ribeirão Preto, Sorocaba, Piracicaba e São José dos Campos, e manteve a liderança da sigla em Campinas. Mas a diferença de votos para o candidato petista diminuiu. Mercadante cresceu em municípios de regiões mais próximas da Grande São Paulo.

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