Em tempo de guerra, segurança reforçada

Discurso aberto na Cinelândia teria sido transferido para o Theatro Municipal por causa do envolvimento dos EUA em ação na Líbia

Bruno Boghossian, Denise Chrispim Marin, Clarissa Thomé, Roberta Pennafort, Luciana Nunes Leal e Márcia Vieira, O Estado de S.Paulo

21 Março 2011 | 00h00

RIO

As preocupações com a segurança de um dos homens mais protegidos do mundo marcaram a visita de Barack Obama ao Brasil - a ponto de provocarem alterações na agenda e aumentarem o cerco ao presidente norte-americano. O discurso aberto, primeiramente anunciado para ser realizado na Cinelândia, no centro do Rio, teria sido transferido para o interior do Theatro Municipal devido ao envolvimento dos Estados Unidos na intervenção militar da Líbia, o que aumentou o nível de segurança requerido para a proteção de Obama.

Transportada em aeronaves e carros blindados, a primeira-família americana evitou aparecer em público e circulou rodeada por homens do Serviço Secreto, agência responsável pela segurança das autoridades. Na capital fluminense, durante o dia o presidente americano só esteve ao ar livre por cerca de 15 minutos. Nas ruas da Cidade de Deus, a família Obama só pôde ser vista pelos moradores por 30 segundos.

Observadores posicionados nos topos de prédios faziam um monitoramento constante das rotas do presidente, mesmo nos pontos em que Obama estava protegido por veículos blindados. No entorno do estádio do Flamengo, usado como base dos helicópteros da comitiva, eles faziam varreduras no gramado em que o presidente pisaria, acompanhados de atiradores de elite que vigiavam cada movimentação.

Homens com fones de comunicação também puderam ser vistos em todos os pontos pelos quais passaria a comitiva presidencial. Na Cinelândia, um segurança disfarçado de turista se comunicava com outros agentes e gravava imagens dos manifestantes que protestavam diante do Theatro Municipal.

Esquema. Apesar do esquema que chamou a atenção dos cariocas e interditou diversas ruas da capital fluminense, o público presente no discurso de Obama e no evento da Cidade de Deus não se incomodou com os procedimentos de segurança. As únicas exigências foram revistas rápidas e uma passagem pelo detector de metais.

O Serviço Secreto não divulga informações específicas sobre suas atividades, mas estima-se que quase 4 mil agentes brasileiros e americanos tenham sido destacados para proteger a família Obama durante a visita ao Brasil. O deslocamento e a proteção envolveram seis aviões, pelo menos quatro helicópteros militares e dezenas de veículos blindados, trazidos dos EUA, além de equipamentos das forças de segurança brasileiras.

Só no Rio, quatro blindados Urutu do Exército, seis helicópteros e mais de 800 homens participaram das ações de proteção à comitiva.

Procedimentos. Segurança é prioridade nas viagens internacionais de presidentes norte-americanos, chegando a representar mais de 80% das despesas com pessoal e equipamento. Só os aviões usados para levar veículos e equipamentos em uma viagem à América do Sul podem custar US$ 18 milhões aos cofres da Casa Branca, segundo documentos enviados nos últimos anos ao departamento de contas do governo americano.

Antes de qualquer visita do chefe de Estado a outro país, funcionários do governo americano e homens do Serviço Secreto fazem, em média, três viagens de reconhecimento às cidades previstas no itinerário. Parte da comitiva está pronta para receber o presidente até uma semana antes de sua chegada.

Os hotéis que hospedaram a família Obama também se recusaram a divulgar informações específicas sobre os procedimentos de segurança adotados durante a estada. Hóspedes em Brasília e no Rio relataram que agentes e cães farejadores ocupavam um andar inteiro dos prédios, e que tiveram seus apartamentos revistados, a pedido dos americanos.

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