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Embaixada do Brasil na Alemanha é atacada por grupo encapuzado

Andrei Netto - Correspondente/O Estado de S. Paulo

12 Maio 2014 | 17h 31

Fachada de vidro foi apedrejada por quatro supostos membros de um movimento de extrema-esquerda; imprensa europeia é dura em críticas contra caos na Copa do Mundo e na preparação dos Jogos Olímpicos

Atualizada às 20h16

PARIS - Exatos 30 dias antes do início da Copa do Mundo de 2014, a embaixada do Brasil na Alemanha foi alvo de um ataque de vândalos contrários à realização do evento. Quatro homens encapuzados depredaram vidros de uma das fachadas do prédio atirando mais de 80 pedras contra a representação brasileira na capital, Berlim. A ação do grupo foi flagrada por câmeras de segurança de um circuito interno de TV, mas os responsáveis ainda não foram identificados.

O ataque aconteceu por volta de 1h da madrugada de domingo para segunda-feira, no horário europeu - 20h de domingo, em Brasília -, quando o grupo irrompeu em frente ao prédio arremessando pedras contra sua fachada. Acionada, a polícia chegou após a fuga dos vândalos, que continuavam foragidos até a noite desta segunda.

A ação teria sido incompreensível se às 11h desta segunda um manifesto não tivesse sido divulgado pelos supostos autores do ataque, que assumiram a responsabilidade pela ação. De acordo com o serviço brasileiro da rede pública de rádio e TV Deutsche Welle, o texto foi escrito em alemão e publicado em um site de movimentos de esquerda radical. O documento critica os gastos excessivos com a preparação do evento e usa o slogan dos movimentos contrários à realização da Copa do Mundo no Brasil: "Não vai ter Copa".

Em Brasília o Ministério das Relações Exteriores confirmou o incidente. O Estado tentou contato na noite desta segunda com a embaixada de Berlim, mas não teve sucesso.

Repercussão. O ataque em Berlim acontece na mesma semana em que a revista alemã Der Spiegel publicou 10 páginas com uma série de reportagens com o título de "Gol contra do Brasil", na qual adverte para o risco de caos no País em razão dos protestos de massa que por ventura possam acontecer durante o torneio. "A Copa do Mundo pode virar um fiasco: protestos, greves e tiroteios em vez de festa", diz o texto, que menciona a guerra ao tráfico no Rio e os ataques a ônibus em São Paulo como exemplos de violência.

Em grande parte da imprensa europeia, a Copa do Mundo causa grande repercussão quando os temas são atrasos das obras, protestos públicos e violência urbana. Na segunda-feira, uma reportagem da rede pública France Télévisions, na França, apresentou uma matéria sobre a inauguração do Itaquerão, em São Paulo, mostrando todas as obras inacabadas no estádio que servirá de palco para a abertura dos jogos.

Já o jornal britânico Financial Times publicou na semana passada editorial no qual dispara contra a eficiência do governo de Dilma Rousseff, criticando não só a organização da Copa do Mundo, mas também e dos Jogos Olímpicos de 2016.

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